Efeito Nasdaq derruba ações de empresas de telefonia celular
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 03 de abril de 2000
Por Mônica Ciarelli 
Rio, 04 (AE) - A queda do índice Nasdaq, que concentra as ações das companhias de tecnologia em Nova York, teve um efeito devastador nas ações de empresas de telefonia celular no Brasil. Apenas nos dois primeiros dias úteis de abril, as ações da Telesp Celular já acumulam perda de 11,65%, enquanto as da Tele Norte Celular amargam desvalorização de 16,13% no mesmo período.
O desempenho negativo do Nasdaq interrompeu uma trajetória de forte valorização do setor, que foi impulsionado no começo do ano pela perspectiva de ganho com a entrada das operadoras no mercado de Internet. Empresas como a CRT Celular e a Telemig Celular, que estão mais avançadas na implementação dessa tecnologia, acumulam no ano altas expressivas. A primeira teve valorização de 147,62%, enquanto a operadora mineira já subiu 73,42% em 2000.
O gestor de recursos do ABN Amro, Alexandre Póvoa, lembra que o interesse pela chamada "nova economia" provocou entre os investidores uma corrida pelos papéis de operadoras celulares no Brasil. Como ainda não existe nenhuma empresa exclusivamente de Internet negociada nas bolsas brasileiras, cresceu a procura por companhias com atividades ligadas à rede.
"O pânico inicial vai passar e as ações tendem a se recuperar a médio prazo", afirmou o gestor de renda variável do Lloyds Bank TSB, Pedro Thomazoni. Ele observa que esse é um setor que tem apresentado desempenho melhor do que a média do mercado. Passado o período de histeria, que levou o Nasdaq a cair quase 14% hoje, o executivo acredita que os investidores vão analisar as empresas separadamente. "A formação de preço será feita caso a caso, com algumas empresas se recuperando primeiro", prevê.
Já Póvoa alerta que o investidor precisa estar preparado para enfrentar grandes oscilações nos preços de suas ações de celulares. Segundo ele, o mercado ainda vai atravessar outros períodos de instabilidade, até que os investidores desviem suas atenções do mercado externo para o cenário econômico brasileiro.


