Sinergia é definida no dicionário como a ação simultânea de dois ou mais órgãos na realização de uma função orgânica. E é assim que agem muitos dos componentes presentes nos alimentos funcionais: eles precisam ser utilizados juntos para que tenham efeito. ''Isso explica porque os suplementos, no mínimo, não têm efeito. Quando a pessoa come o alimento, ingere diversos compostos. Mas, quando (a substância) está isolada, não funciona. Um exemplo é o betacaroteno, que precisa da vitamina E para agir'', avalia o nutricionista Fábio Gomes, do Inca.
Quando o objetivo é a prevenção de câncer, ensina Gomes, o ideal é garantir através da alimentação variada os diversos componentes protetores. ''Quando a pessoa varia a alimentação, ingere vários compostos diferentes, que vão ter sua ação potencializada pelo mecanismo da sinergia e atuar em diferentes tipos de câncer'', explica.
Não há números no Brasil que apontem o consumo de suplementos, diz a nutricionista, mas a comparação com outros países é sugestiva. ''Nos Estados Unidos, 50% a 73% da população utilizam suplemento, e, em Cuba, 26%'', afirma. Ela lembra que estes não têm relação com suplementos de proteína e carboidrato usados por pessoas que praticam atividade física.
Quando o suplemento é usado como medicamento, e com orientação médica, ressalta Gomes, há chance de 15% de efeito adverso. Mas, quando a pessoa usa por conta própria, sem prescrição, isso aumenta para 50%. ''E há mais chance ainda quando a pessoa deixa de usar um medicamento receitado e passa a usar suplemento'', alerta. (C.P.)

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