Curitiba- O que explicaria tantas variações climáticas ocorridas nos últimos meses no Brasil, como temperaturas baixas no verão parananense, enchentes no Nordeste e seca no Rio Grande do Sul? É que a temperatura global aumentou 1ºC nos últimos 50 anos. Pode não parecer muita coisa, mas o pequeno acréscimo tem agravado o efeito estufa que, por sua vez, tem acarretado tais ''anomalias''. E a situação mundial pode piorar ainda mais.
Segundo estudos realizados por uma equipe designada pela Organização das Nações Unidas (ONU), se não houver controle na emissão de gases poluentes, o que agrava o efeito estufa, a temperatura ainda poderá subir, nos próximos 100 anos, de 2ºC a 5ºC. O novo aumento da temperatura global pode ocasionar a elevação de um metro do nível do mar e a extinção de diversas espécies de plantas e animais, prejudicando assim, todo o ecossistema. As regiões do planeta mais vulneráveis seriam a Amazônia e o cerrado brasileiro.
Para o engenheiro florestal André Ferretti, coordenador do projeto sobre sequestro de carbono no Litoral do Estado e um dos coordenadores do Observatório do Clima, fórum nacional para discutir mudanças climáticas, o agravamento do efeito estufa se deve aos frequentes avanços na ciência. ''O ser humano é o principal responsável pelas anomalias climáticas que estamos presenciando'', disse o engenheiro florestal. Um dos maiores agravantes do efeito estufa é a queima de combustíveis fósseis e o desmatamento. ''Por isso, para evitar que a situação se agrave, deve-se diminuir a emissão de gases e reflorestar'', explicou Ferretti.
A explicação para tantas anomalias climáticas é que o aumento da temperatura global altera as dinâmicas das correntes marítimas e massas de ar, não ocasionando necessariamente o aquecimento de todas as regiões, mas, sim, mudanças climáticas imprevisíveis, como está ocorrendo no Paraná, por exemplo, que registra verão atípico, mais frio. ''O outono e o inverno também serão atípicos, mas não dá ainda para prever se serão mais frios ou mais quentes. Posso apenas alertar a população para novas anomalias climáticas'', disse Ferretti.
O engenheiro florestal participou, como representante da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS), da 9 Conferência das Partes da Convenção sobre Mudança Climáticas da ONU, realizada em Milão. Lá, foram estabelecidas metas para amenizar o efeito estufa.
Segundo Ferretti, para os países ricos, que são os maiores responsáveis, foi estabelecido que deverá ocorrer a diminuição de aproximadamente 5% na emissão de gases entre os anos de 2008 e 2012. Já, para os países em desenvolvimento, que é o caso do Brasil, o comprometimento é de apenas monitorar a emissão dos gases poluentes. Nos países ricos, outra medida a ser adotada também deve ser a exclusão dos gases poluentes através do reflorestamento de áreas degradadas no passado.
De acordo com Ferretti, o governo do Paraná se comprometeu em plantar 200 mil hectares de plantas exóticas e 50 mil hectares de plantas nativas em todo o Estado, na tentativa de driblar o temido avanço do efeito estufa. Para Ferretti, a atitude do governo é ótima, mas, o plantio, para ele, deveria ser maior de plantas nativas, uma vez que as exóticas requerem mais cuidados. Também, no litoral paranaense, há três projetos de reflorestamento da SPVS em andamento.

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