Efeito estufa é debatido na Argentina
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terça-feira, 03 de novembro de 1998
France Presse 
Um país do Hemisfério Sul sedia pela primeira vez uma reunião da Convenção da ONU sobre Mudança Climática, símbolo de que o aquecimento da atmosfera causado pela emissão dos gases é um problema global, afirmou ontem o secretário executivo do organismo mundial, Michael Zammit, na inauguração do evento em Buenos Aires.
Com o propósito de manter o impulso político do Protocolo de Kioto, assinado em 97 no Japão, e que obriga os países industrializados a reduzir em 5,2% suas emissões de gases nocivos, Zammit encorajou os participantes a se comprometerem com um acordo, o que exige uma participação equitativa de todos.
Este enunciado deveria ser compartilhado pelos 168 Estados, seus grupos ecologistas e suas empresas privadas que participam do evento, mas existem posturas muito diferentes sobre o texto principal do acordo.
As discussões tratarão também sobre se os países periféricos devem reduzir também suas emissões e quais serão os mecanismos de flexibilidade para que a aplicação do pacto de Kioto sai mais em conta.
A presidente do evento, a secretária argentina de Meio Ambiente, María Julia Alsogaray, antecipou que defende a responsabilidade comum: Nós, dos países em desenvolvimento, temos o dever ético de encarar modelos de desenvolvimento sustentáveis.
Apesar dos países subdesenvolvidos se livrarem da histórica responsabilidade sobre a poluição mundial, Alsogaray acha que eles devem ser os responsáveis futuros da soluções deste problema.
Depois de ressaltar o orgulho da América Latina pela escolha da Argentina para sediar esta reunião da ONU, Alsogaray pediu esforço das futuras gerações pela preservação do meio ambiente.
Para isso, Zammit proclamou a necessidade de deixar de lado a retórica e transferir tecnologia limpa e recursos financeiros aos países periféricos para que sua incipiente expansão industrial não resulte em mais estragos para o meio ambiente.
O Centro Municipal de Exposições da capital argentina abriga até o 13 de novembro 1.460 delegados dos 168 governos presentes, 2.167 integrantes de organizações não-governamentais e 700 jornalistas.
A entidade ambientalista Greenpeace exigiu na madrugada de ontem, numa demonstração no Obelisco de Buenos Aires, que a Reunião das Partes de Mudança Climática da ONU concretize avanços reais para diminuir a emissão de gases que provocam o efeito estufa.
Horas antes da inauguração da reunião, militantes do Greenpeace estenderam desde o topo do Obelisco de Buenos Aires, de 60 metros de altura, um cartaz onde se lia Salvem o clima-Energia limpa já!.
A pergunta-chave é se os governos apoiarão o desenvolvimento de energias limpas como solução para o problema do clima ou se limitarão a continuar fazendo discursos com o único propósito de proteger os interesses do setor petrolífero, disse a imprensa Juan Carlos Villalonga, coordenador da campanha de energia da entidade.
A reunião de Buenos Aires tentará avançar na definição de mecanismos de colocar em marcha o Protocolo de Quioto (1997) pelo qual os países industrializados se comprometeram a diminuir as emissões de gases que produzem o efeito estufa em 5,2% média entre 2008 e 2012.
A organização ecologista considera que esse limite não é suficiente para evitar um crescimento da temperatura média global, que tem aumentado 0,5% desde 1850.
A COP4 discutirá que porção das emissões de dióxido de carbono (CO2) cada país deverá diminuir. Os Estados Unidos são o principal propagador mundial, com cerca de 25% do total. Na conferência também serão debatidos os limites da comercialização de cotas de emissão de CO2 e o desenho do chamado Mecanismo de Desenvolvimento Limpo.


