Efeito das redes sociais ainda é subestimado
Londrina - O juiz da 1ª Vara de Família em Londrina, Mauro Henrique Ticianelli, afirma que a inclusão de elementos publicados em meios virtuais e eletrônicos em processos judiciais traz como maior "novidade" a celeridade na análise do mérito. "Me ajuda muito numa liminar de guarda. Dependendo do que você me mostrar nessa telinha de três por quatro (apontando o aparelho celular da reportagem), com conteúdo de tortura e coisas realmente muito pesadas, e se isso me der credibilidade, a liminar sai agora e tiro a guarda dos filhos na hora. É um meio fácil, instantâneo, e isso sim é uma novidade", exemplifica. "Pornografia infantil é na hora, depois eu vou discutir. Realmente o celular ajuda muito a identificar alguns comportamentos, uns mais severos, outros não", prossegue. Sentenças envolvendo pagamento de pensão também podem ter como elementos probatórios conteúdo produzido em meio digital e virtual. "A lei fala em documento. Facebook e WhatsApp são documentos para nós, tanto que vêm para o processo como documento. Admitimos até a fotografia, que entra no processo digitalizada. Mas todos esses elementos têm que vir dentro do processo, que hoje é on-line. Ninguém vai me mostrar tela de telefone aqui", ressalva.
O magistrado avalia que ao mesmo tempo em que a conexão virtual é cada vez mais universal e acelerada, o homem ainda não aprendeu a dimensionar os efeitos dela no ambiente familiar. "A gente não está preparado para o efeito disso aqui (celular). Tem muita gente vendo, não existe confiança. Você manda uma mensagem para um grupo de relacionamento, vira uma progressão geométrica, são 7 mil, 12 mil, 72 mil visualizações. Aí pode notificar o Google, fazer o que quiser, nunca mais tem volta", observa Ticianelli, para em seguida propor uma reflexão: "No ambiente da família, os atos impensados agora são pagos no futuro, com aquele juro da década de 1980, 80% ao mês. É muito grave, muito forte." (D.P.)





