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Educadores protestam em frente ao NRE em Londrina


Viviani Costa - Grupo Folha
Viviani Costa - Grupo Folha

Profissionais da rede estadual de ensino permanecem mobilizados em todo o Paraná para reivindicar a anulação do edital 47/2020 que altera regras para a contratação de professores e pedagogos por meio do PSS (Processo Seletivo Simplificado).


Em Londrina, o chamado ‘Ato da Educação’ começou por volta das 9 horas, em frente ao NRE (Núcleo Regional de Educação), na avenida Maringá, região oeste da cidade. O grupo formado por, aproximadamente, 20 pessoas se reveza para dar continuidade à mobilização que deve se estender durante a tarde.


Educadores protestam em frente ao NRE em Londrina
Divulgação/APP-Sindicato
 


Sem a realização de concurso público, o Paraná possui 41,7 mil professores efetivos e mais de 20 mil professores temporários contratados anualmente por meio de PSS. No entanto, desta vez, o edital estabelece o pagamento de taxas de inscrição e a realização de uma prova presencial no mês de dezembro, em meio à pandemia da Covid-19. Profissionais classificados que pertencerem ao grupo de risco não serão convocados para as vagas e terão que aguardar o fim da pandemia.


Educadores protestam em frente ao NRE em Londrina
Divulgação/APP-Sindicato
 


“Queremos professores concursados em sala de aula, com os direitos assegurados e uma educação de qualidade”, ressaltou a professora Sandra Claudino. Ela atua como PSS desde 2003 e vai terminar este ano letivo com, aproximadamente, 200 alunos de três colégios diferentes.


A docente das disciplinas de ciências e biologia explica que a carga horária prevista no edital é de até 40 horas semanais. No entanto, poucos profissionais conseguem atingir esse patamar, já que dependem da disponibilidade de vagas que varia durante o ano. Além de completar o quadro de profissionais da rede pública, os contratados por meio de PSS substituem os profissionais durante licenças e afastamentos.


Com isso, a remuneração dos temporários é incerta e varia conforme a quantidade de horas-aula ministrada mês a mês. O valor da hora-aula, incluindo o vale transporte, está em torno de R$ 16. “Há professores PSS com aulas em sete colégios diferentes. O PSS é um processo seletivo simplificado emergencial, mas essa emergência vem se arrastando há muitos anos”, criticou.


Sandra afirmou ainda que a precariedade das condições de trabalho e a rotatividade dos profissionais em sala de aula prejudicam o ensino e a criação de vínculos com os alunos. Em um ano atípico com adaptações dos conteúdos nas plataformas digitais, a jornada de trabalho se estendeu também para os finais de semana.


“Esse ano foi muito difícil para a educação em geral. Além de atender os alunos on-line, temos que atender as famílias, a escola e não tivemos formação para isso. Tivemos que aprender na prática. Nós nos adaptamos. Agora trabalhamos 24 horas por dia porque, às vezes, a família só consegue ajudar o aluno à noite e aos finais de semana e é nesse horário que temos que dar um suporte. [...] Estamos agora fechando notas, atendendo presencialmente alunos que têm mais dificuldade, fazendo encontros on-line, atendendo as escolas, tendo pré-conselhos escolares e quando vamos estudar para essa prova?”, questionou. O edital foi assinado pelo Secretário de Estado da Educação, Renato Feder, em 27 de outubro.


“Não há um reconhecimento de títulos na remuneração. Tenho especialização e alguns colegas têm doutorado. Chega a ser uma falta de respeito com professores que estudam tanto, se preparam tanto e o governo não reconhece isso. Enquanto muitas atividades pararam, o professor não parou. Ele se adaptou. Dou aulas para 180 alunos. O professor passou por toda essa situação, mas os governantes não respeitam as nossas falas, as nossas lutas”, completou o professor de língua portuguesa Evaner Tolomeotti.


Em Curitiba, profissionais da educação permanecem acampados em frente ao Palácio Iguaçu e aguardam negociação com o governo do Estado. Cerca de 20 educadores estão em greve de fome, segundo informações da APP-Sindicato, que representa a categoria.


Além da revogação do edital do PSS, os profissionais pedem a prorrogação dos contratos dos funcionários que atuam nas escolas, o pagamento de progressões e promoções, a realização de concurso público após a pandemia e a demissão do atual secretário responsável pela pasta.


Na última quinta-feira (19), representantes do governo do Estado se comprometeram a complementar a folha de pagamento dos funcionários que recebem abaixo do salário mínimo regional (R$ 1.383,80). O impasse permanece em relação aos demais itens da pauta.


De acordo com a assessoria de imprensa da Seed (Secretaria de Estado da Educação e do Esporte), mais de 34 mil candidatos se cadastraram até a manhã desta segunda-feira (23) para concorrer a uma das 4 mil vagas iniciais ofertadas por meio do PSS. Cerca de 17 mil profissionais são do Paraná. O prazo de inscrições termina às 18 horas desta segunda. O edital estabelece a realização da prova presencial no dia 13 de dezembro. O exame será aplicado simultaneamente em 30 cidades que possuem sede do Núcleo Regional de Educação.

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