Londrina - "Vamos botar um outro alguém na sua vaga. Beto Richa, ah! Você me paga." Este era apenas um dos trechos das marchinhas carnavalescas que professores da Universidade Estadual de Londrina (UEL) cantaram ontem à tarde durante um protesto bem-humorado na Praça Nishinomiya, na zona leste da cidade. Batizada de bloco "Pacote do Calote", a iniciativa teve direito à distribuição de bananas e uso de máscaras com a foto do governador Beto Richa e deputados que votaram a favor do "pacotaço" na Assembleia Legislativa.
Um dos organizadores da ação, o professor de Comunicação Manoel Bastos explica que esta foi a maneira encontrada pelos educadores para manter ativo o movimento grevista durante o feriadão de Carnaval. "Deflagramos a greve na quinta-feira e iríamos passar muitos dias sem nada. Com o bloco, mantemos a sociedade informada sobre o que está acontecendo", diz ele, ao observar que as marchinhas do "Pacote do Calote" foram compostas especialmente para o evento. A ideia foi unir a irreverência dos grevistas com a indignação sentida por eles. Vídeos com as letras das músicas somaram mais de 10 mil visualizações nas redes sociais.
"O governo recuou da ideia de aprovar o pacote como ‘tratoraço’, mas não de usurpar o dinheiro que está na Previdência. Mas enquanto ele não recuar, não vamos recuar também", completa Bastos.
Segundo o comando de greve da UEL, há pelo menos cinco razões que motivam a mobilização da categoria. A primeira é o corte de 1/3 de férias dos professores desde o fim do ano passado. Em seguida, está a ameaça de corte de direitos, como adicional por tempo de serviço, mudanças nas regras da aposentadoria, falta de diálogo e transparência e o fim da autonomia das universidades paranaenses. A medida, avalia o comando, pode dificultar a contratação de novos professores e funcionários, além de provocar a diminuição de investimentos para o ensino, pesquisa e extensão.
Para a professora de Letras Patrícia de Castro Santos, o bloco "Pacote do Calote" foi uma alternativa divertida para chamar a atenção da comunidade sobre os problemas enfrentados pela categoria. "Com bom humor fica mais fácil as pessoas se mostrarem dispostas a nos ouvir", comenta. Servidoras da rede estadual, Josi Queiroz e Jaqueline Artuzo foram até a Praça Nishinomiya reforçar a mobilização da UEL. "A chuva atrapalhou um pouco, mas o protesto já ajudou a mandar um bom recado para o governo", diz Jaqueline.
Uma nova assembleia para discutir a situação do movimento deve ocorrer no dia 19.

CONCURSO SUSPENSO


A UEL suspendeu as inscrições para o concurso que previa a contratação de 16 professores. O processo seletivo, do edital 013/2015, previa também a formação de cadastro de reserva. As vagas abertas são para Letras e Ciências Humanas, Ciências Biológicas, Ciências Exatas, Estudos Sociais Aplicados, Ciências da Saúde, Educação, Comunicação e Artes, Ciências Agrárias e Tecnologia e Urbanismo. O certame só deve ser retomado após a suspensão da paralisação dos educadores, ainda sem data para ocorrer.

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