Educadores ignoram liminar do TJ-PR e mantêm greve
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quinta-feira, 05 de março de 2015
Mariana Franco Ramos <br> Reportagem Local 
Curitiba - A decisão do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) de considerar ilegal a greve dos professores da rede pública estadual não freou a mobilização da categoria. Segundo levantamento da Secretaria de Estado da Educação (Seed), apenas 36 das 2,1 mil escolas do Estado tiveram aulas ontem, o que corresponde a 1,7%. Nenhuma delas fica em Londrina. Em Curitiba, o Colégio da Polícia Militar foi o único a abrir. Até o fechamento desta edição, o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP Sindicato) mantinha o posicionamento de não ter sido notificado da decisão.
Conforme o despacho, assinado pelo desembargador Luiz Mateus de Lima, a multa diária para caso de descumprimento da liminar é de R$ 20 mil. Os grevistas também estão impedidos de bloquear o acesso dos servidores que queiram trabalhar às dependências dos órgãos públicos. O chefe da Casa Civil, Eduardo Sciarra, chegou a afirmar que o uso de força policial não está descartado. Ontem, a pasta informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que aguardava o cumprimento da determinação e que, por enquanto, não adotaria nenhuma outra medida para forçar o início do ano letivo.
Em assembleia geral realizada na quarta-feira, na Vila Capanema, na Capital, mais de 20 mil educadores votaram pela continuidade da paralisação, que hoje entra em seu 26º dia. No total, 970 mil estudantes estão sem aulas. Em nota, a APP disse lamentar a postura "de um governo que se nega ao diálogo" com os trabalhadores e "recorre a outros poderes para tentar pôr fim a uma manifestação legítima, que conta com o apoio incondicional da população".
De acordo com o secretário de comunicação da entidade, Luiz Fernando Rodrigues, a sede da APP sequer reabriu ontem. "O pessoal trabalhou o dia todo ontem (anteontem) e, por isso, decidimos dar o recesso", justificou. Ele lembrou que os dirigentes já solicitaram ao TJ-PR que marque uma audiência de conciliação da categoria com o governo. A intenção é reabrir as negociações e, mediante uma nova proposta, marcar outra assembleia. Hoje, os professores devem se reunir em atos simultâneos em frente aos Núcleos Regionais de Educação (NREs), como forma de pressionar o Executivo e também de reforçar o diálogo com a comunidade.
Entre os pontos pendentes da pauta, segundo os docentes, estão o compromisso de não recolocar o projeto que mexe no Paranaprevidência em votação na Assembleia Legislativa (AL) ou qualquer outro que suprima direitos dos servidores, a constituição de um grupo de trabalho para acompanhamento da evolução das finanças do Estado, integrado pela APP, o pagamento de R$ 100 milhões de benefícios em atraso e a nomeação de funcionários aprovados em concurso.
O governo, por outro lado, argumenta que esgotou a pauta de reivindicações e atribui a continuidade da greve a um movimento político. Conforme a administração estadual, todos os salários e verbas rescisórias dos professores foram pagos no dia 24 de fevereiro. Já o adicional de férias deve ser quitado até 31 de março. A gestão Beto Richa (PSDB) diz ainda que concedeu reajuste acumulado de 60% nos salários dos docentes nos últimos quatro anos.


