Quase 3 mil alfabetizadores que trabalham para o Programa Paraná Alfabetizado não recebem há cinco meses a ajuda de custo a que têm direito. O programa, desenvolvido no Estado desde agosto de 2004 em parceria com o governo federal, tem como objetivo a alfabetização de jovens, adultos e idosos. São 2.870 educadores, que trabalham desde abril sem a bolsa mensal de R$ 120,00 ou R$ 150,00 (no caso de turmas que têm alunos com necessidades especiais).
Segundo uma educadora ouvida pela Folha, que pediu para não ter o seu nome divulgado, o Núcleo Regional de Educação (NRE) informou dias atrás que o pagamento dos dois primeiros meses seria feito até a última terça-feira, o que não ocorreu. ''A maior parte dos alfabetizadores depende deste dinheiro até para comer'', disse. Ela esclareceu que os educadores trabalham 10 horas semanais, em locais definidos por eles mesmos.
A assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Educação (Seed) confirmou o atraso, informando que o mesmo foi causado por problemas no preenchimento e verificação de planilhas (contratos) e no repasse do dinheiro por parte do Ministério da Educação (MEC). Ainda de acordo com a assessoria, são normais atrasos de um a dois meses no pagamento. A previsão é que parte do dinheiro referente ao pagamento dos meses de abril e maio seja liberada até a próxima quarta-feira, junto com os valores referentes aos vales-transporte. No mês que vem seria liberado o resto dos pagamentos em atraso.
O projeto ''Paraná Alfabetizado'' já contemplou 71 mil adultos nos dois primeiros anos de funcionamento. Este ano são quase 60 mil alunos matriculados, o que dá ao Estado o maior número de alfabetizandos no Sul do País. Os educadores recebem treinamento inicial de 30 horas e têm acompanhamento permanente de uma equipe de 500 professores da rede estadual de ensino, com reuniões quinzenais nos municípios onde atuam.

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