SÃO PAULO - Exilado na Suíça, em 1971, Paulo Freire relatou um diálogo que tivera, meses antes, com um velho índio peruano, a quem conheceu numa turma de alfabetização. ‘‘O que é uma montanha?’, perguntou-lhe o educador. ‘‘Uma montanha é um homem que dá nome a uma montanha’’, respondeu o índio. ‘‘E se o homem não estiver lá?’, insistiu. A resposta: ‘‘Então não será uma montanha, porque não haverá ninguém para chamá-la pelo nome.’
Na época, Freire qualificou a lição contida na resposta como uma síntese de tudo o que ele próprio havia acumulado em anos de rua e de biblioteca. Paulo Freire foi sobretudo um homem humilde, para quem qualquer conhecimento que lhe chegasse de alguém mais humilde se tornava uma nova comprovação de suas teorias.

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