Educador foi um homem de hábitos simples
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 02 de maio de 1997
Agência Folha 
SÃO PAULO - Exilado na Suíça, em 1971, Paulo Freire relatou um diálogo que tivera, meses antes, com um velho índio peruano, a quem conheceu numa turma de alfabetização. O que é uma montanha?, perguntou-lhe o educador. Uma montanha é um homem que dá nome a uma montanha, respondeu o índio. E se o homem não estiver lá?, insistiu. A resposta: Então não será uma montanha, porque não haverá ninguém para chamá-la pelo nome.
Na época, Freire qualificou a lição contida na resposta como uma síntese de tudo o que ele próprio havia acumulado em anos de rua e de biblioteca. Paulo Freire foi sobretudo um homem humilde, para quem qualquer conhecimento que lhe chegasse de alguém mais humilde se tornava uma nova comprovação de suas teorias.


