Educador condena a sociedade pela desintegração do jovem
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segunda-feira, 19 de novembro de 2001
Agência Estado<br>De São Paulo 
Tentar enxugar o chão com a torneira aberta. Até hoje, essa foi a sensação de muitas pessoas que trabalham com crianças e adolescentes. Apesar de o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) determinar que menores de 18 anos sejam prioridade, faltam políticas públicas articuladas para a infância e a juventude.
''Hoje, temos uma juventude incluída, com condições mínimas, e temos a juventude 'barrada no baile', que está chegando à idade adulta totalmente despreparada e impossibilitada de olhar o futuro sem medo'', diz o educador Antônio Carlos Gomes da Costa. ''É preciso trabalhar para criar uma juventude só, com oportunidades de desenvolvimento pessoal e social.''
Na opinião do educador, o momento não poderia ser mais propício. ''A juventude é a causa do momento. Desde 1995, o Brasil passa por uma onda jovem, com mais jovens do que crianças em seu perfil demográfico e vamos ficar assim até 2005.'' Ele lembra que os jovens que agora se tornam adultos nasceram antes da queda do muro de Berlim, quando o mundo era bem diferente politicamente. ''Se essa geração for bem sucedida, terá mais chances de responder aos desafios deste início de milênio.'' Ele sugere a criação de um conselho estadual da juventude.
Para o diretor do Instituto Paulista de Adolescência, Eugenio Chipkevitch, os jovens precisam de estímulos e oportunidades. ''Quanto mais opções e boas experiências o jovem tem, mais terá a auto-estima reforçada e a chance de construir uma identidade em sintonia com o projeto de vida que deseja'', diz. ''Quanto menos opções, mais vai desviar-se para drogas, violência, depressão.''
Pediatra e psicoterapeuta, Chipkevitch explica que o jovem atualmente está com dificuldades de constituir um projeto de vida consistente, anda desiludido, mais centrado em coisas materiais do que antes. Também vive mais situações de risco, desde sexo desprotegido até violência, e está submetido a uma competitividade maior e a taxas mais altas de desemprego. Isso resulta em menos perspectivas.


