Educação sexual conforme o entendimento
Bem entendido que sexualidade nada tem a ver com desenvolvimento mental, a psicóloga Solange Leme Ferreira destaca uma outra necessidade - a de propiciar educação sexual também para os filhos especiais. Para isso, ressalta, é preciso respeitar o nível de entendimento mental do filho.
Isso significa identificar sua idade mental e propiciar acesso a material educativo de acordo com essa idade. ''Se for uma idade mental de oito anos, é usar material para educação sexual de uma pessoa de oito anos'', afirma a psicóloga.
Solange ressalta que o processo de educação poderá até ser mais longo, mais repetitivo, distribuído em maior número de passos e com orientações simplificadas, mas haverá aprendizado. ''Se souber ensinar, ele vai aprender, sim'', reforça. Com um detalhe: para falar de sexualidade é preciso que os próprios pais estejam bem resolvidos nesse setor, sob risco de passar seus preconceitos e frustrações.
Como qualquer outro filho, também é preciso orientar os especiais a usar contraceptivos e a se prevenir de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs). Isto apesar da grande maioria das meninas deficientes mentais, segundo o neuropediatra Aparecido Andrade, ter dificuldade de engravidar. ''Todos os indivíduos com patologias de característica cromossômica tendem a ser estéreis, como se fosse uma defesa do organismo'', afirma.
Andrade explica que uma vida sexual normal vai depender muito da própria patologia, já que em alguns casos, como por exemplo a lesão cerebral, há um fator limitante, a lesão motora. ''Dependendo do comprometimento neurológico, podem ser vários níveis de manifestação da sexualidade, mas se a gente pensar que a afetividade pode se manifestar através de um beijo, um abraço, um toque, tudo fica mais fácil'', contrapõe Solange.
E casamento, pode? Para Solange, casamento significa falar em autonomia financeira, administrativa e laboral, além da criação de filhos. Por isso ela não se posiciona contra o casamento, mas acredita que os pais dos pretendentes também têm que participar dessa decisão. ''Não são os pais que vão decidir, mas as seis pessoas inicialmente mais importantes têm que ser ouvidas, até porque os pais vão ter responsabilidade pelo monitoramento desse casal e das questões que vão aparecer'', ressalta.(C.P.)





