Educação pode reduzir mortes por raios
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sexta-feira, 22 de abril de 2005
Simone Menocchi<br>Agência Estado 
Taubaté- Estudos indicam que, pelo menos no Estado de São Paulo,
a incidência de raios deve aumentar 10% a cada década. Hoje no Estado caem dois milhões de raios por ano. Com mais descargas elétricas a previsão é que o número de mortes deve ficar 40% maior e os prejuízos materiais podem chegar a R$ 100 milhões. A pesquisa é do Grupo de Eletricidade Atmosférica (ELAT) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, Inpe, de São José dos Campos, que realizou estudos nos últimos sete anos para prever a incidência de descargas elétricas no Estado.
Já se sabe que pela extensão territorial e localização o Brasil é o país com maior incidência de raios do mundo, estando à frente do Congo e dos Estados Unidos. ''São cem mortes por ano e R$ 500 milhões em prejuízos em diferentes setores e principalmente no setor elétrico'', afirma o pesquisador e coordenador do ELAT, Osmar Pinto Júnior.
O estudo realizado pelo Inpe revelando o volume de raios para as próximas décadas tem como base o crescimento das cidades paulistas e o aquecimento global. ''Cidades com mais de 500 mil habitantes, tem mais poluição, mais calor e assim, mais raios''.
A pesquisa do Inpe também levou em conta a previsão de crescimento das cidades, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
De acordo com a pesquisa, não será possível evitar o aumento da quantidade de tempestades e raios, mas é possível reduzir os efeitos e riscos. ''Eu não tenho dúvida de que a conscientização sobre os riscos dos raios reduziria em 50% as mortes no país''.
O pesquisador sugere que o assunto seja ensinado nas escolas de ensino fundamental para que as crianças saibam evitar os riscos provocados pelo fenômeno da natureza. ''E não só sobre raios e sim uma educação ambiental como um todo, evitando inclusive a poluição''. Quanto menos mata nativa e mais asfalto, maior será o calor e em consequência, as tempestades ''A cada grau no aumento da temperatura média na região tropical a ocorrência de raios sobe 30%''.
Para reduzir os prejuízos materiais, empresas e instituições paulistas já podem se utilizar de novas tecnologias no combate aos raios. Essas técnicas de monitoramento estão disponíveis na Rede Integrada Nacional de Detecção de Descargas Atmosféricas (RINDAT), que permite o acompanhamento em tempo real da ocorrência de raios pela internet e faz, com precisão, um mapa as ferramentas que se deve usar para evitar os prejuízos. ''O futuro do impacto dos raios só depende de nós''.


