Educação: Melhora nos indicadores esbarra na valorização da carreira docente
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quarta-feira, 04 de dezembro de 2019
Viviani Costa - Grupo Folha
Salários mais atrativos, ambientes de trabalho adequados e capacitação contínua estão nos sonhos de muitos professores em todo o País. Para o coordenador do Núcleo de Inteligência do Todos pela Educação, Caio Sato, a valorização da carreira docente é um dos fatores que podem impactar em uma possível melhora nos indicadores de aprendizagem de leitura, matemática e ciências, mensurados por meio do Pisa – sigla em inglês para Programa Internacional de Avaliação de Estudantes.
“Quando você analisa os países do leste asiático, por mais que tenham trajetórias diferentes, culturas diferentes, um aspecto que razoavelmente é central neles é que a política de carreira docente é muito bem estabelecida em várias etapas. Começa desde a atratividade porque há um prestígio muito grande em se tornar professor. Em alguns países se paga muito bem. Eles recrutam os melhores estudantes do ensino médio para se tornar professor, a formação tem caráter muito prático com desenvolvimento profissional e pedagógico muito bem estruturados”, ressaltou.
Sato reforçou que é necessário um financiamento mais equitativo para o setor. O atual modelo do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação) vence no próximo ano e novas formas de distribuição dos recursos precisam ser avaliadas.
“Um dado interessante que o Pisa traz e que a gente também acompanha pelos dados nacionais é que há muita desigualdade na aprendizagem dos estudantes mais desfavorecidos. No Pisa, eles têm performance consideravelmente menor do que aqueles mais favorecidos.”
A diferença no desempenho geral entre meninos e meninas também chama a atenção do integrante do movimento Todos pela Educação. “É uma questão complexa, mas que reflete uma estrutura social que é atribuir algumas competências e expectativas profissionais a um grupo determinado. Meninas, em geral, estão muito vinculadas a carreiras de cuidado e à própria profissão docente. Aos meninos, a carreira de exatas. A gente percebe que isso é um problema global que precisa ser enfrentado com políticas específicas. É olhar a equidade de um outro prisma além do nível socioeconômico”, avaliou.
Sato lembrou ainda que a estagnação do Brasil nos índices relacionados à leitura, matemática e ciências impacta diretamente o futuro da sociedade. “O ponto principal é entender a educação como uma plataforma de oportunidades. A porcentagem de pessoas que acessam o ensino superior é muito baixa no Brasil em comparação com países desenvolvidos ou com países que têm um contexto parecido com o nosso. Se não estamos entregando uma boa aprendizagem para os nossos estudantes, dificilmente eles vão conseguir se integrar em uma sociedade cada vez mais moderna e ágil de forma produtiva. O impacto não é só a curto prazo. Isso vai repercutir ao longo da vida desses jovens que vão se tornar adultos, provavelmente, ingressando em postos de trabalho menos qualificados com mais rotatividade e, possivelmente, tendo nível de saúde um pouco menor para aqueles que são muito desfavorecidos em termos sociais e econômicos”, concluiu.
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