Educação influencia crescimento demográfico, diz Unesco
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segunda-feira, 31 de janeiro de 2000
Por Demétrio Weber Enviado especial 
Recife, 31 (AE) - A educação, ou melhor, a falta dela, está diretamente relacionada ao crescimento populacional. A conclusão é de um estudo preparado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) e distribuído hoje no encontro dos nove países em desenvolvimento mais populosos do mundo, em Jaboatão dos Guararapes, na Grande Recife. "À medida em que as mulheres recebem mais educação, passam a ter menos filhos", disse o autor do estudo, o coordenador do grupo de nove países, que inclui China e Brasil, Wolfgang Vollmann.
Isso ocorre, segundo ele, porque, ao frequentar a escola
a mulher passa a ter mais conhecimentos sobre métodos contraceptivos e aumenta suas chances de ingresso no mercado de trabalho. Vollmann debruçou-se sobre as taxas de crescimento demográfico dos nove países desde 1980, observando uma co-relação entre os avanços nos indicadores educacionais e a queda no ritmo de aumento da população. Todos os países, nesse período, conseguiram diminuir o número de analfabetos e assegurar vagas para um contingente cada vez maior de crianças e jovens na educação fundamental (cuja duração varia de quatro a oito anos, de acordo com o país). Analfabetismo - Na China, por exemplo, a taxa de analfabetismo caiu de 22,2% da população acima de 15 anos, em 1990, para 15%, em 1997, segundo dados colhidos pelo coordenador da Unesco. Segundo Vollmann, essa melhoria educacional teria influenciado a diminuição da taxa de crescimento demográfico, que, no período de 1980 a 1994 era de 1,35% e, entre 1995 e 2000, caiu para 0 91%. No Brasil, a taxa de crescimento populacional era de 2,17, entre 1980 e 1994, e ficou em 1,31%, de 1995 até o ano 2000, segundo o estudo.
Em Bangladesh, nos mesmos períodos, a redução no ritmo de crescimento demográfico caiu de 2,17% para 1,7%, enquanto na Índia a redução foi de 2,05% para 1,64%. "Todos os países do grupo registraram uma queda significativa nas taxas de crescimento populacional, mas em alguns deles, como Bangladesh, China, Índia e Brasil, a redução é particularmente significativa
por causa do tamanho das populações", registra o texto.
O estudo assinala que a educação e os esforços dos países em melhorar seus indicadores não constituem os únicos fatores para reduzir as taxas de crescimento populacional. Entre os itens responsáveis pela redução das taxas de natalidade, o estudo destaca: o número crescente de mulheres alfabetizadas; políticas de planejamento familiar; esforço governamental; melhoria das condições sanitárias; maior acesso das meninas à educação fundamental.


