Educação inclusiva enfrenta desafio de manter adolescentes na escola
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domingo, 21 de setembro de 2014
Carolina Avansini<br> Reportagem Local 
Londrina - Ester Maria do Nascimento Costa tem 14 anos e, como a maioria das meninas desta idade, gosta de artistas como One Direction, Demi Lovato e sonha ver um show do sertanejo Luan Santana. Também passa boa parte do tempo nas redes sociais e acha a escola um lugar legal para aprender, trocar ideias e estar com os amigos. A adolescente só tem uma diferença em relação à maioria dos colegas: tem paralisia cerebral, o que causa dificuldade para caminhar e também para escrever os conteúdos que os professores passam na sala de aula.
Apesar de gostar da escola, Ester quase abandonou as aulas no início deste ano. Sentindo-se desanimada por não conseguir acompanhar o ritmo, estava prestes a desistir, quando foi salva de integrar as estatísticas de evasão escolar pelo olhar atento da professora Carla Grandis Lepri, especialista em educação especial no Colégio Estadual Benjamin Constant, em Londrina.
Sensível às dificuldades da adolescente que tinha acabado de chegar à instituição, Carla reivindicou junto ao Núcleo Regional de Educação (NRE) o atendimento na sala de recursos multifuncionais e também um tablet para a aluna utilizar nas aulas. Com o equipamento, Ester fotografa os conteúdos passados no quadro e tem material para estudar em casa. Na sala de recursos, conta com a atenção individualizada de uma professora que ajuda a superação de possíveis dificuldades. Pela primeira vez, após oito anos de vida escolar difícil, a garota teve o apoio necessário para aprender de forma efetiva. "Hoje estou muito motivada. Quero continuar estudando e chegar à universidade", planeja.
Histórias como a de Ester mostram que a educação inclusiva enfrenta o desafio de vencer o possível risco da evasão escolar de estudantes com deficiência, transtornos globais de desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, principalmente nos anos finais do Ensino Fundamental e no Ensino Médio.
Em 2013, foram registradas 320.725 matrículas de alunos com essas características nos anos iniciais do ensino fundamental em escolas regulares de todo o Brasil. Nos anos finais, o número caiu para 184.780 registros. Já no ensino médio, o número de estudantes é ainda menor, 47.356 matrículas. No Paraná a situação é parecida. Foram 15.111 matrículas nos anos iniciais, 14.576 nos anos finais e apenas 3.844 no ensino médio.
Os dados indicam uma suspeita de que os alunos com estas características podem estar ficando "no caminho", evadindo-se da escola antes de finalizar a educação básica. Esta é a opinião de Alejandra Meraz Velasco, coordenadora geral da organização não governamental (ONG) Todos Pela Educação, que mantém um observatório para acompanhar o cumprimento das 20 metas do Plano Nacional de Educação (PNE). A meta 4 do documento estabelece a universalização, para toda a população de 4 a 17 anos deste grupo, do acesso à educação básica e ao atendimento educacional especializado, preferencialmente na rede regular de ensino, com a garantia de sistema educacional inclusivo, de salas de recursos multifuncionais, classes, escolas ou serviços especializados, públicos ou conveniados.
Alejandra ressalta que, nos primeiros anos escolares, a inclusão vem acontecendo de forma adequada no Brasil. "Mas nos anos finais a participação percentual parece cair, o que gera a hipótese de que esses alunos não conseguem permanecer nas instituições de ensino. O problema é que não há dados para saber onde estão estas crianças e adolescentes excluídos da escola regular", comenta.
Este cenário indica a necessidade, segundo ela, de estudos mais aprofundados sobre os motivos que levam os alunos a possivelmente desistirem da escola. "Uma hipótese é de que não haja equipamentos adequados e escolas adaptadas para todos", acredita. Somado a isto, pode haver falhas na formação dos professores regulares para lidar com a inclusão.
A professora Carla Grandi Lepri, que ajudou a menina Ester a encontrar um caminho para aprender, trabalha há mais de dez anos com educação especial e destaca que, sem apoio e orientação dos professores, os adolescentes ficam desmotivados e podem mesmo desistir da escola. "Falta capacitação para os professores regulares aprenderem a lidar com estes alunos", aponta, destacando que a educação avançou muito neste sentido nos últimos anos. "Hoje temos salas de recursos multifuncionais e professores especializados para ajudar", continua.
Não foram poucas as vezes em que ela "correu atrás" de recursos junto ao NRE e visitou famílias para evitar que os alunos fossem retirados da escola. Junto aos colegas que atendem os estudantes na sala de aula, ela tenta despertar a necessidade de atender as individualidades de cada um. "Professores criativos e abertos a novas experiências conseguem ensinar a todos. Infelizmente, ainda tem muito professor que só quer passar o conteúdo", critica.
Ester confirma o relato da professora ao contar uma boa experiência. "A professora de inglês sempre me ajuda com os conteúdos. Eu não sabia nada e agora fico impressionada com o tanto que aprendi", comemora.
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