Londrina – O Brasil é o 85º colocado no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) divulgado ontem pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). O estudo, que inclui 187 países, levou em conta dados de 2012. O País manteve a mesma posição do levantamento divulgado no ano passado. O índice é formado por uma cesta de indicadores composta por expectativa de vida, expectativa de anos de estudo, anos de estudo e renda bruta (soma de tudo o que é produzido no Brasil – PIB – menos as remessas para o exterior).
Considerado como o calcanhar de aquiles brasileiro no universo dos indicadores socioeconômicos, a educação continua pesando negativamente no resultado do segundo país mais populoso das Américas nesta medição.
Mesmo na comparação regional, o Brasil amarga posições inferiores, ainda que tenha avançado significativamente entre 1980 e 2012. Dois indicadores pesam mais nos cálculos, como anos de estudo e expectativa de anos de estudo. No primeiro, o Brasil saltou, em 32 anos, de 2,6 anos em média para 7,2. No segundo, o índice saiu de 9,9 para 14,2 anos.
Ainda assim, os vizinhos têm números quase sempre melhores. No tempo médio de permanência na escola, o Brasil está na última colocação do subcontinente, ao lado do Suriname, com índice de 7,2 anos, 2,5 anos menos que a pontuação chilena, que lidera a lista sul-americana. Os vizinhos Argentina (9,3), Bolívia (9,2) e Peru (8,7) estão entre os primeiros colocados.
No caso da expectativa de anos de escolaridade, o Brasil teve uma posição melhor, mas ainda está abaixo de Argentina (16,1), Uruguai (15,5), Chile (14,7) e Venezuela (14,4).
Para o professor Edmilson Lenardão, professor do Departamento de Educação da Universidade Estadual de Londrina (UEL), especialista na área de gestão e políticas públicas, o fraco desempenho do País reflete uma série de equívocos do poder público.
Para ele, há várias distorções no modelo educacional, como o descompasso entre as necessidades do setor produtivo e do que é oferecido em sala de aula. "Também não há uma relação direta entre as políticas sociais e o sistema de ensino. Eu cito como exemplo a questão da dengue, onde tantas crianças são mobilizadas ano a ano nas escolas para agir contra o mosquito e que, na prática, não está mudando a realidade. O problema persiste porque, infelizmente, a criança não está aprendendo, de fato, nada sobre a dengue. Agem como se fossem robôs", opinou.
"A educação não pode querer mudar tudo. Ela tem que oferecer o essencial: um bom ensino científico, filosófico e artístico." Para Lenardão, as crianças e os adolescentes da rede pública estão frequentando uma "escola que não é escola". "Hoje se estuda mais e se aprende menos", avaliou.
O educador criticou duramente a perspectiva pedagógica hegemônica que foi adotada no sistema público desde a redemocratização no final dos 1980, o construtivismo. "O modelo não deu certo em vários países e não está dando certo no Brasil. O mais preocupante é que não há nem uma discussão sobre esta hegemonia".

Imagem ilustrativa da imagem Educação impede avanço no ranking do IDH



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