Educação e prevenção são soluções baratas
Londrina - Acabar com as espécies invasoras da bacia do alto rio Paraná seria inviável, segundo o que explicou o biólogo Diego Garcia, que participou da pesquisa do Centro de Ciências Biológicas (CCB), da Universidade Estadual de Londrina (UEL). "Existem atitudes drásticas, por exemplo retirar todas as espécies e reintroduzir somente as espécies nativas. No caso de um lago pequeno isso até pode ser feito. Já no caso do alto Paraná é impossível". Por isso, ele ressalta, a alternativa mais barata no momento é a prevenção, educar as pessoas para que esse descarte irregular de peixes ornamentais não seja feito.
Para conscientizar a população, principalmente os jovens, sobre os riscos do descarte irregular de peixes, o grupo de pesquisadores criou um informativo para ser distribuído em escolas, lojas de animais e entidades ligadas ao setor chamada "Peixes introduzidos por aquarismo na bacia do alto rio Paraná". "Queremos que esse estudo sobre invasão biológica seja dado no ensino médio, junto com biologia, porque ele é muito importante. Enquanto isso não ocorre estamos trabalhando com o público mais direcionado, principalmente em lojas de aquário para que o ato possa ser evitado", explicou Garcia.
DEVOLUÇÃO
Segundo o integrante do Aquarismo em Londrina (Aqualon), associação informal de amigos que resolveram se reunir para discutir sobre o hobby, Américo Guazzelli, eles já fazem um trabalho em lojas de aquário e de peixes ornamentais sobre os cuidados que são necessários com os animais, e que existe essa orientação do não descarte em rios e lagos. "O ideal é, caso a pessoa não queira mais o peixe, devolvê-lo à loja, para que ele seja redirecionado a outro criador ou aquarista", alertou.
Guazzelli acrescentou que a preocupação da Aqualon com o descarte irregular de peixes é grande. "Tanto é que temos uma publicação trimestral, de distribuição gratuita, que sempre traz os dez mandamentos do aquarista", informou. O primeiro "mandamento" é "não solte peixes, plantas ou qualquer outro animal aquático nos rios ou lagos. A soltura desses animais pode causar impactos ambientais muito sérios, prejudicando fauna e flora nativa". Apesar do trabalho já feito pela entidade, ele ressalta a importância de continuar a educação ambiental sobre o assunto nas escolas. "Achei a pesquisa da UEL extraordinária. É importante educar a todos, porque hoje já encontramos peixe de aquário até no Igapó, principalmente o Oscar. As pessoas soltam mesmo quando ele começa a crescer muito. Precisamos estimular essa consciência", finalizou. (P.B.O.)





