Educação dos filhos exige equilíbrio
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 09 de março de 2004
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
Está na hora de encontrar o equilíbrio na educação dos filhos. A opinião é da filósofa e mestre em educação Tania Zagury, que esteve ontem, em Londrina, ministrando a palestra ''Educar sem culpa: relacionamento entre pais e filhos na sociedade moderna'' e participando do lançamento do seu livro ''Os direitos dos Pais - construindo cidadãos em tempos de crise''. Para a educadora, os pais precisam resgatar o direito da autoridade, sob o risco de criarem filhos ''tiranos''.
Autora de 11 livros, oito deles sobre a relação pais e filhos, desde o início da década de 90 ela vem alertando sobre as consequências sociais da falta de autoridade e excessiva liberdade para os filhos. Consequências como jovens que ''não querem crescer'', que não convivem com limites e que não respeitam o direito dos outros, até filhos que ''mandam'' nos pais, podendo chegar a casos mais graves, de agressão e morte.
Tudo isso resultado de uma educação ''liberal'', em que os pais com medo de criar ''traumas'', ficam imobilizados, com medo de agir, cobrar e aguentar reações de raiva quando não são ''amiguinhos'' dos filhos. ''Essas pessoas que tiveram a adolescência na década de 60 para 70, tiveram uma educação mais rígida, muito hierarquizada, em que os pais sabiam o que era bom e decidiam tudo, e resolveram fazer diferente com os filhos. Foi um ponto positivo, mas que descambou para o excesso'', avaliou.
Nesse tipo de educação, segundo Tania Zagury, não era incomum os pais deixarem a criança estragar um brinquedo ou fazer coisas ''erradas'' por pensar que a criança era pequena para entender. ''Os pais achavam engraçadinho, achavam gostoso fazer todas as vontades dos filhos, especialmente quem tem poder aquisitivo para tal. Mas a consequência para o filho que cresce ''podendo tudo'', superprotegido, com os pais quebrando todos os galhos, é achar que só pode fazer o que ele gosta, que as pessoas tem que ser do jeito que ele quer'', explicou.
Ela citou como exemplo de um caso ''extremo'' o da jovem Suzane Von Richthofen, que em outubro de 2002 planejou a morte dos pais. ''Ela não teve tolerância à frustação de aceitar o que os pais diziam, que o rapaz não era legal para ela, mas que ela teria a liberdade de ficar com ele. Podia perfeitamente sair de casa, arrumar um emprego e viver com o amor dela. Mas, por causa de imediatismo, consumismo, e acostumada a um nível alto de vida, recebendo tudo dos pais, se achou no direito de eliminar aquele 'obstáculo'', exemplificou.
Mas afinal quais são os direitos dos pais e como encontrar equilíbrio na educação dos filhos? Para a educadora o ponto principal é ter clareza nos objetivos educacionais. ''Quero que meu filho seja honesto, generoso, produtivo? Não quero que meu filho cometa atos ilícitos? Se eu tiver clareza dos objetivos, aí os direitos e deveres ficam claros. É possível ter uma relação democrática, mas o poder decisório continua nas mãos dos pais'', concluiu.


