Londrina - A Secretaria Municipal de Educação seguiu recomendação do Ministério Público e está recolhendo os 13,5 mil livros didáticos da coleção ''Vivenciando a Cultura Afro-Brasileira e Indígena'', da Editora Ética, que haviam sido distribuídos para as escolas municipais. As obras foram avaliadas como preconceituosos por especialistas.
De acordo com a secretária de Educação, Karen Sabec, os livros, que custaram R$ 600 mil, ainda não estavam liberados para uso em sala de aula e foram deixados nas bibliotecas das escolas, pois não havia outro lugar específico para abrigá-los.
''O primeiro passo foi acatar a recomendação do Ministério Público para que os livros fossem retirados. Isso nós fizemos. Em algumas escolas onde não retiramos os livros foram embalados e estão aguardando nossa logística, para que possam ser retirados'', garantiu Karen.
Segundo a gestora pública de Promoção da Igualdade Racial da Prefeitura de Londrina, Fátima Beraldo, o problema ocorreu porque houve troca dos livros. ''A coleção correta dos livros é 'História e Cultura Afro-brasileira Indígena', e os livros que vieram foram 'Vivenciando a Cultura Afro-Brasileira e Indígena'', disse Beraldo
De acordo com a secretária, representantes da Editora Ética estarão em Londrina na próxima segunda-feira, dia 11, para discutir uma solução para a questão. ''Estaremos averiguando todos os problemas que ocorreram nesse processo, para que possamos corrigir e solucionar definitivamente esse caso'', afirmou.
A secretária informou que o Município vai apurar se o pedido do material foi feito errado ou se o problema ocorreu na recepção dos exemplares. ''Vamos confrontar nossa documentação com a da editora para entender o que aconteceu''.
De acordo com Karen o problema só não havia sido descoberto antes por uma falha de comunicação. ''O pessoal que recebe o material não sabe qual o objetivo e qual é o trabalho que estamos propondo para a mercadoria. Acredito que essa denúncia (recomendação do MP com base em análises de especialistas) foi uma antecipação do movimento, pois a Secretaria de Educação estava com trabalho proposto, que seria a capacitação dos professores, para depois estarmos manuseando e vivenciando para que pudessemos ter detectados esses erros'', declarou.
Os livros foram entregues em abril, e no mês passado o Fórum de Entidades Negras de Londrina (Fenel) emitiu um parecer sustentando que a coleção promovia descriminação contra índios e negros. Com base nesse documento e em outros pareceres de universidades e especialistas, o promotor Paulo Tavares, da Promotoria de Defesa das Garantias Constitucionais, emitiu a recomendação administrativa solicitando o recolhimento das obras.

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