São Paulo - As desigualdades entre homens e mulheres podem ser vistas ainda na infância, quando, geralmente, meninos ficam soltos para brincar na rua enquanto meninas precisam ficar dentro de casa 'como uma mocinha'. Mas é também nessa fase da vida que se pode quebrar com os paradigmas e mostrar para as crianças, e futuros adultos, que gênero não define o que a pessoa é.

Essa é a principal contribuição da pedagogia neutra em termos de gênero, método aplicado em uma escola na Suécia e analisado por pesquisadores da Universidade de Uppsala. O estudo, publicado recentemente no "Journal of Experimental Child Psychology", avaliou crianças de 3 a 6 anos de idade de uma escola cujas práticas incluem usar pronomes neutros e evitar a diferenciação de brinquedos para meninos e meninas.

Elas foram comparadas com crianças da mesma idade de escolas com ensino tradicional. O resultado? Crianças que estão em um ambiente onde o gênero não é levado em consideração para atividades são menos influenciadas pelos estereótipos. Consequentemente, a tendência de atribuir conceitos estereotipados do que é masculino e feminino também é menor.

As crianças também se interessavam mais em brincar com pessoas desconhecidas do gênero oposto do que aquelas da escola tradicional. "Uma possibilidade é que, quando os adultos não fazem do gênero um grande problema, as crianças aprendem que não precisam fazer isso também. Então, quando elas estão pensando sobre se gostariam de brincar com alguém do gênero oposto, não é um fator tão importante para elas", diz Kristin Shutts, uma das pesquisadoras do estudo, em entrevista ao E+.

Kristin acrescenta que as crianças que vivenciam uma pedagogia neutra de gênero não carregam fortes estereótipos sobre o que é ser menino e o que é ser menina. "Isso os faz pensar que eles podem ter muita coisa em comum com crianças que não são do mesmo gênero que elas", afirma.

Embora o estudo tenha mostrado que as crianças dos dois tipos de escola tendem a agrupar pessoas por gênero, as práticas são importantes para reduzir atitudes baseadas em estereótipos ao longo do tempo.

EXEMPLO NACIONAL

Mas não é preciso ir muito longe para verificar essas práticas. Na Escola Estadual Professor Alvino Bittencourt, na zona leste de São Paulo, o diretor Denys Munhoz Marsiglia promove ações que buscam minimizar as desigualdades no espaço escolar. Há cinco anos na função, ele reúne professores, funcionários da limpeza, da secretaria e do refeitório para conscientizá-los sobre o tema. Em sala de aula, os docentes são orientados a não falar no diminutivo. "É uma prática que colabora com a distinção de gênero, o menino entende que ele não faz parte daquilo porque 'brinquedinho' é coisa de menina", diz o diretor.

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