Londrina – Os cursos de Engenharia são cada vez mais disputados. No último vestibular da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Engenharia Civil foi o segundo mais concorrido: 29,88 candidatos por vaga. Engenharia Elétrica foi o quinto, com 17,21 por vaga. Mesmo com a grande procura, o número de profissionais formados ainda não é o ideal. E o vilão desta história é a formação deficiente no ensino básico.
"Grande parte dos alunos demora muito mais que os cinco anos regulares para se formar. Muitos iniciam sem saber realmente o que é um curso de Engenharia. É preciso melhorar a qualidade do nosso ensino médio", cobra Alexandre Sordi, coordenador do curso de Engenharia Ambiental da Universidade Tecnológica Federal (UTFPR), que formou a primeira turma este ano. Dos 44 alunos que iniciaram o curso, apenas 12 saíram com o canudo nas mãos.
Pesquisa recente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), aponta que mais de 50% dos alunos de engenharia abandonam o curso antes da metade. O Brasil forma todos os anos 42 mil engenheiros, segundo o censo de 2011 do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
Para o coordenador do Colegiado de Engenharia Civil da UEL, Gerson Cendes Saragosa, é preciso fortalecer primeiro os cursos existentes e só então criar novos. "Muitos profissionais não vão para cidades menores com receio de não conseguirem atualização constante. Hoje as novas tecnologias surgem quase que diariamente e por isso é preciso estar sempre estudando. E isso é possível hoje apenas nos grandes centros ou próximo a eles", aponta.
De acordo com Fabiano Moreno Peres, coordenador do curso de Engenharia de Materiais da UTFPR, o grande desafio da academia é formar profissionais de qualidade. "Precisamos melhorar a produtividade de quem sai da universidade. Formar engenheiros preparados para suprir as necessidades de crescimento do País", aponta.
O estudante de Engenharia de Materiais da UTFPR, Bruno Dubiela, de 28 anos, não é contra a importação de profissionais, desde que comprovem capacidade. "Vai obrigar quem está aqui a se especializar mais. Tem espaço para todos", opina. Já para Renan Godói, de 22, o ideal seria o governo investir mais no ensino. "Isso leva mais tempo e trazer gente de fora gera um resultado mais imediato ao governo. Mas é necessário criar um ensino de excelência no Brasil." "Se este estrangeiro está apto para a função, se passar por um processo de avaliação e for trazido para as áreas onde há falta de profissionais, não vejo problema", frisa Rafael Vedovatte, de 24.
Na UEL, o curso de Engenharia Civil tem 70 vagas e o de Elétrica, 40. Na UTFPR, já funcionam os cursos de Engenharia de Materiais e Ambiental. Em outubro, começam as aulas de Engenharia Mecânica e para 2014 está previsto o início dos cursos de Engenharia de Produção e Química. No campus de Apucarana da UTFPR, no ano que vem começam as aulas dos cursos de Engenharia Química, Elétrica e Civil. Todos os cursos da UTFPR têm 44 vagas por semestre. (L.F.C.)

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