Eduardo Suplicy promete intervir em favor dos sem-terra presos
PUBLICAÇÃO
sábado, 29 de maio de 1999
Marcos Zanatta 
O senador Eduardo Suplicy (PT) acha inadmissível a Justiça manter os 42 sem-terra presos na região de Maringá, enquanto banqueiros e membros do Judiciário continuam livres apesar das CPIs comprovarem o desvio de milhões de reais. Ele esteve em Maringá para visitar 10 dos sem-terra presos na região de Paranavaí, no início de maio, durante a desocupação de propriedades invadidas. As evidências indicam que existe conluio entre Justiça, governo do Estado e os fazendeiros para desocupar as áreas, afirmou.
Ele prometeu agilizar o processo de liberdade dos sem-terra presos, e apelou para o delegado-adjunto de Maringá, Roberto Fernandes, para manter todos juntos, na mesma cela. Os sem-terra presos reclamaram que estão separados e em celas com quatro camas e seis ou mais detentos juntos. O delegado Fernandes prometeu esforço para colocar todos juntos. Os 42 sem-terra estavam presos todos em Paranavaí, e foram transferidos para cinco cidades de outras regiões, depois que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), anunciou que montaria um acampamento em frente a delegacia local. Queremos pelo menos ficar na mesma cela, pediu ao senador o sem-terra José Santelo. Ele foi preso durante a desocupação da fazenda Santa Maria, no dia 6 de maio, e diz estar preocupado com a mulher e dois filhos que ficaram em Querência do Norte (113 quilômetros ao norte de Paranavaí).
O advogado Marino Gonçalves, da Rede de Advogados Populares do Brasil, disse que a separação dos sem-terra não está dando o resultado esperado pelo governo. Em todas as cidades para onde eles foram levados está acontecendo manifestações de apoio ao movimento (MST). Gonçalves explicou que a juíza de Loanda, Elizabeth Kather, negou o pedido de relaxamento de alguns dos sem-terra presos. Agora a Rede vai pedir habeas corpus ao Tribunal de Justiça e se for preciso ao Superior Tribunal de Justiça.
Durante a visita, Suplicy ficou sabendo como foram feitas as desocupações na região Noroeste. Acho que o governador Jaime Lerner (PFL) quis esconder uma ação que tem tudo de errado, afirmou. Ele lembrou ainda que os ministros do Supremo Tribunal de Justiça já reconheceram o direito que os sem-terra têm de lutar pela reforma agrária. Na saída da cadeia de Maringá cerca de 60 mulheres, a maior parte com crianças e que aguardavam para visitar os parentes, vaiaram a comitiva do senador, que atrasou o horário de visita.


