Eduardo Duhalde defende fim da disputa entre empresários
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domingo, 26 de setembro de 1999
Por Isabel Braga 
Brasília, 27 (AE) - O governador da Província de Buenos Aires, Eduardo Duhalde, candidato do Partido Justicialista (peronista) à Presidência da Argentina, defendeu hoje, depois de participar de audiência com o presidente do Brasil, Fernando Henrique Cardoso, a criação de organismos independentes para a solução dos impasses que vem ocorrendo entre empresários argentinos e brasileiros no Mercado Comum do Cone Sul (Mercosul). Candidato do partido do presidente Carlos Menem, Duhalde afirmou ainda acreditar que a coordenação de políticas macroeconômicas deve ser feita no médio prazo e não de forma imediata.
"Não se pode ficar nervoso, é preciso deixar que o setor privado siga impulsionado", disse. "Em momentos de dificuldades, quando as coisas parecem sombrias, temos de ter mais calma." Segundo ele, na conversa, Fernando Henrique também reconheceu que, no momento em que a Argentina enfrenta "problemas recessivos notórios e que os problemas econômicos não estão de todo superados, não é o melhor momento de avançar nas soluções relacionadas à coordenação de políticas macroeconômicas".
Segundo Duhalde os empresários argentinos estão tentando fazer acordos "conscientes de que é preciso preservar ao Mercosul". Além de dizer que os países do Mercosul irão "enfrentar juntos" as dificuldades, o candidato governista também defendeu a adoção de uma posição coincidente frente aos subsídios agrícolas para as negociações da Rodada do Milênio em novembro.
O governador ressaltou que, assim como no Brasil, na Argentina também existe o debate entre os "desenvolvimentistas e fiscalistas" e que ele é a favor da primeira opção. "A Argentina deve sair da crise em que se encontra pelo caminho da maior produtividade e do crescimento e não pelo caminho do ajuste", disse.
Para ele, a Argentina tem características singulares porque possui poucos habitantes, mas a receita do Fundo Monetário Internacional (FMI) não leva isso em consideração. "As províncias estão enfrentando muitas dificuldades e os subsídios da Europa, Japão e Estados Unidos limitam as possibilidades", acrescentou, negando ser favorável à moratória da dívidas argentinas.
Nem mesmo o fato de aparecer em segundo lugar nas pesquisas divulgadas para a eleição do dia 24 abala a confiança do candidato na vitória. Segundo ele, pesquisas feitas pelo partido mostram que o justicialismo vence em 11 das 16 províncias argentinas. Fernando Henrique classificou o encontro de hoje como "visita de cortesia", confirmou que os dois conversaram sobre Mercosul e a Rodada do Milênio e lembrou, por intermédio do porta-voz, George Lamazire, que recebeu, em março
o candidato da oposição e que lidera as pesquisas, Fernando de la Rua.


