EDP investirá cerca de US$ 1 bilhão no Brasil até 2003
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terça-feira, 28 de março de 2000
Por Jair Rattner, especial para a Agência Estado 
Lisboa, 29 (AE)- A empresa portuguesa de eletricidade EDP se comprometeu a realizar investimentos na geração de energia no Brasil no valor de US$ 1 bilhão até 2003. Este é o resultado do compromisso de construir nove das 49 centrais termoelétricas do programa emergencial do governo brasileiro.
"Vamos procurar parcerias para esses investimentos. Não pretendemos investir tudo sozinhos. No entanto, nosso objetivo é manter o controle de todas as usinas", afirma Mário Cristina de Sousa, presidente da EDP. Ele conta que, segundo a avaliação internacional, a empresa tem capacidade de aumentar o seu endividamento entre 500 milhões e 1 bilhão de dólares.
Segundo Sousa, o setor elétrico no Brasil já não sente os efeitos da crise que atingiu o país no ano passado: "Eu penso que o consumo vai crescer pelo menos 4% este ano, se não for mais. Até agora o ano está a correr bastante bem e os consumos começam a recuperar rapidamente. A moeda parece estar estabilizada e encaramos este ano com bastante otimismo".
Em 1999, as três empresas em que a EDP tem participações - a CERJ, a Bandeirante e a Excelsa - registraram prejuízos de quase 25 milhões de euros. Mesmo assim, a empresa portuguesa teve resultados líquidos de 501 milhões de euros. Para o segundo semestre deste ano, a empresa vai procurar aproveitar a liberalização do mercado de eletricidade, posicionando-se num novo segmento: "Vamos tentar entrar na comercialização. Pretendemos atuar no Brasil em geral, criar uma comercializadora que nos permita começar a intervir ativamente neste mercado. Cada vez mais as empresas de distribuição terão a possibilidade de procurar as suas fontes de aprovisionamento de energia e nós queremos estar presentes nesse negócio".
O objetivo da nova empresa é atender às empresas de distribuição em que a EDP participa. "A primeira preocupação será apoiar as empresas em que estamos presentes na compra de energia. Mas a nova empresa poderá desenvolver-se claramente para um negócio em separado." Para Sousa, a abertura do mercado significa que este está a tornar-se mais sofisticado e que "as empresas terão que evoluir para uma gestão de risco".
Sobre o concurso para a Transgás, Sousa acredita que se a empresa ganhar a Zona Sul será possível criar sinergias com a distribuidora da Zona Noroeste. "Não vai ser fácil, há muitos concorrentes. Estamos interessados porque além do mais também vamos estar presentes na Zona Noroeste, com os italianos. Gostaríamos de estar na Zona Sul, não porque nos interesse diretamente a distribuição de gás, mas porque nos interessa construir centrais e ter gás disponível para elas".
Apesar de em Portugal a EDP estar entrando na área de telecomunicações, com uma operadora de rede fixa e investimentos em celulares, Sousa não prevê a entrada nesse setor no Brasil a curto prazo: "Se for será a prazo e sobretudo depois de estabilizarmos completamente nossa presença na distribuição eletricidade. Só depois podemos encarar seriamente essa possibilidade. Mas repare que no Brasil, em termos de telecomunicações, não há muito mais para fazer. Houve aquela privatização generalizada e penso que só em áreas de Internet seria possível entrar. Outra área em que a empresa está investindo é a da distribuição e tratamento de águas, em associação com os ingleses da Thames. "Por enquanto estamos a tentar entrar nesse mercado no Brasil. Neste momento estamos no Chile com eles."


