Editorial
Entidade se equivoca
ao boicotar o turismo
É equivocada a campanha internacional lançada pela União das Entidades Ambientalistas do Paraná (Uneap) com o objetivo de boicotar o turismo em Foz do Iguaçu, principalmente nas Cataratas. O objetivo desse boicote seria forçar as autoridades a retirar os invasores que, desde 11 de janeiro, ocupam o trecho do Parque Nacional do Iguaçu cortado pela Estrada do Colono.
Na visão dos ambientalistas, apenas o prejuízo econômico causado pela diminuição do turismo em Foz do Iguaçu - quarto pólo nacional de recepção de visitantes estrangeiros - poderá fazer com que a estrada permaneça fechada e o parque, preservado.
A causa ambiental é uma das bandeiras mais justas, necessárias e louváveis desse final de século. Se a luta em favor do meio ambiente tivesse começado mais cedo, talvez grandes desmatamentos e crimes ecológicos não teriam sido cometidos em nome do progresso. Ao defender o Iguaçu, as ONGs ambientalistas acertam no objetivo, mas erram no método.
O Parque Nacional do Iguaçu possui 180 mil hectares e uma distância de 80 quilômetros separa as Cataratas da Estrada do Colono. Foi graças às Cataratas, aliás, que o parque recebeu da Unesco o título de Patrimônio Natural da Humanidade. A unidade de conservação só foi criada, há 59 anos, por abrigar as quedas do Rio Iguaçu, consideradas a oitava maravilha do mundo.
Com a campanha das entidades ambientalistas, um turista menos avisado poderá imaginar que a estrada que está ocupada por moradores das regiões Oeste e Sudoeste do Paraná é a rodovia que dá acesso às Cataratas. Boicotar o turismo em Foz por causa da invasão da Estrada do Colono é a mesma coisa que tentar impedir que a ONU mande alimentos para populações africanas porque seus governos estão em guerra.
Sem esquecer da preservação, as entidades ambientalistas precisam conciliar sua luta com o moderno conceito que alia ecologia com desenvolvimento econômico. O próprio Parque do Iguaçu - no trecho das Cataratas - já é um exemplo disso. Mesmo recebendo cerca de 800 mil turistas por ano, a unidade mantém conservadas fauna e flora e arrecada verbas que, além de sustentar sua própria estrutura, ajudam a financiar outros parques em todo o País.
Uma solução para a Estrada do Colono, aliando preservação ecológica e crescimento regional, seria sua transformação em uma estrada-parque. Como uma via turística, a estrada permaneceria aberta apenas durante o dia e seu trânsito seria limitado a carros de passeio e veículos de transporte coletivo.
O modelo de estradas-parque já foi adotado com sucesso em muitos países - inclusive naqueles com desenvolvida consciência ambiental. Ao contrário de promover a devastação das matas e a morte de animais, a prática serviu para reforçar a preservação. Com a transformação da Estrada do Colono em estrada-parque, as duas principais causas envolvidas na questão seriam satisfeitas: o movimento ambiental e os moradores de duas regiões do Paraná, que querem uma ligação mais rápida entre municípios tão próximos.





