Para ajudar a compreender e a transformar a realidade da população, pesquisadores do curso de Geografia da UENP (Universidade Estadual do Norte do Paraná) lançaram o Atlas de Vulnerabilidade Socioambiental da Região Geográfica Imediata de Cornélio Procópio–Bandeirantes, Norte do Paraná. Publicado pela Editora UENP (Universidade Estadual do Norte do Paraná), a obra sistematiza e elucida, em linguagem didática, indicadores sociais, econômicos e ambientais de 18 municípios da região. O Atlas, lançado na terça-feira (3), pode ser acessado gratuitamente por meio da Livraria Aberta da Editora (uenp.edu.br/livraria-aberta).

Os autores, professores Paulo Henrique Marques de Castro, Pedro Henrique Carnevalli Fernandes e Vanessa Maria Ludka, destacam que o livro oferece aos leitores subsídios teórico-metodológicos e visuais que favorecem a compreensão das dinâmicas socioespaciais. “O Atlas constitui um recurso didático-pedagógico que contribui para o desenvolvimento do raciocínio geográfico, para a leitura da realidade local e para a formação crítica dos estudantes do ensino fundamental, médio e superior”, destaca Vanessa.

A análise realizada no Atlas contempla 51 indicadores, que abrangem aspectos ambientais, como remanescente florestal, abastecimento e consumo de água, coleta de lixo e saneamento básico, e aspectos sociais, como bibliotecas e equipamentos culturais, educação, saúde, habitação, envelhecimento, despesas públicas, trabalho e emprego, mortalidade infantil, crimes, violência contra a mulher e homicídios. “Até então, não havia um levantamento que sistematizasse esse conjunto de dados nas escalas municipal e regional, o que dificultava a identificação e a análise comparativa das desigualdades socioespaciais entre os municípios e dentro da própria região”, afirma Paulo.

Os indicadores foram organizados a partir de dados oficiais e convertidos em dados relativos, isto é, em percentuais ou taxas por habitante. “Isso permite comparar de forma justa municípios de tamanhos muito diferentes: um número absoluto pode parecer alto apenas porque o município é mais populoso, enquanto o dado relativo mostra a real dimensão do fenômeno em cada lugar”, pondera Paulo. Além do mapa, cada indicador é explicado e analisado pelos autores na escala regional, com uma redação fluída e acessível a todos os níveis de ensino. “Por isso, o Atlas é um material completo, voltado a toda a comunidade regional: estudantes, professores, gestores públicos e a população em geral”, recomenda o professor.

O Atlas, explica Vanessa, transpõe os resultados da pesquisa para a realidade dos leitores, propondo uma interpretação inicial orientada para os desafios da sustentabilidade, da equidade social e da gestão responsável dos recursos ambientais, além de uma cidadania mais ativa. A professora acentua a importância do livro como recurso pedagógico e de sensibilização sobre as realidades socioambientais do território. “As aulas se tornarão mais atrativas uma vez que a interpretação sobre o fenômeno, ambiental e/ou social, ocorrerá sob uma escala de vivência dos estudantes e professores. É possível comparar o próprio município com os vizinhos, cruzar indicadores (como saneamento e mortalidade infantil), usar o mapa como ponto de partida para um trabalho de campo ou um projeto interdisciplinar”.

Com as possibilidades apresentadas, a professora entende que o material favorece a participação ativa dos estudantes no processo de aprendizagem, ao estimular a curiosidade, a investigação e o pensamento crítico. “Mais do que apresentar informações, o Atlas permite que docentes e estudantes construam conhecimentos a partir do território em que vivem, tornando o ensino mais significativo e contribuindo para a formação de cidadãos capazes de compreender e questionar as desigualdades socioespaciais e os desafios socioambientais de sua região”, finaliza Vanessa.

Subsídios a políticas públicas

O Atlas, de acordo com o professor Pedro, oferece subsídios técnicos e científicos para a formulação, o direcionamento e, principalmente, a execução de políticas públicas mais assertivas. Ele ressalta que o livro traduz a complexidade das relações entre sociedade e natureza em um formato acessível, visualmente impactante e cientificamente consistente. “Políticas públicas criadas a partir disso mudam a sociedade, tornando o espaço menos desigual, mais justo e com maior qualidade de vida para as pessoas. Em outras palavras, os gestores podem identificar áreas prioritárias de intervenção, otimizar a alocação de recursos e monitorar a eficácia de programas a partir do tema/indicador de interesse”, exemplifica.

O Atlas contempla estudos sobre os municípios de Bandeirantes, Congonhinhas, Cornélio Procópio, Itambaracá, Leópolis, Nova América da Colina, Nova Fátima, Nova Santa Bárbara, Rancho Alegre, Santa Amélia, Santa Cecília do Pavão, Santa Mariana, Santo Antônio do Paraíso, São Jerônimo da Serra, São Sebastião da Amoreira, Sapopema, Sertaneja e Uraí. Trata-se de um território de 6.018 km2, com cerca de 174 mil habitantes.

O livro será impresso em 2027 e distribuído aos municípios contemplados na obra. Prefeitos e representantes das Prefeituras serão convidados para receber a obra em evento que será realizado na Universidade.

Esforço coletivo

O Atlas é resultado de um trabalho de dois anos que integrou frentes de pesquisa, ensino e extensão dos três autores da obra. O livro está vinculado a um projeto mais amplo, chamado de “Fotografias aéreas de drones aplicadas à pesquisa de avaliação de riscos e vulnerabilidades socioambientais no Norte do estado do Paraná”, financiado pelo Fundo Paraná, e a projetos individuais, tais como: “RPAS (Remotely Piloted Aircraft Systems) e Geotecnologias no estudo de vulnerabilidades socioambientais e na formação docente em Geografia”, “Espacialização geográfica da fome e da pobreza da Região Geográfica Imediata de Cornélio Procópio–Bandeirantes por meio do Programa Bolsa Família e do Cadastro Único” e “Violência em pequenas cidades do Norte Pioneiro do Paraná”.

Além disso, ele foi elaborado em parceria com os grupos de pesquisa GEPeq (Grupo de Estudos sobre Pequenas Cidades), GEOFOME (Geografia da Fome – Território Campo-cidade e Desenvolvimento) e GEOARVS (Geografia, Análise de Risco e Vulnerabilidade Socioambiental). O livro é financiado pelo Fundo Paraná da Seti (Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior).

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