Edital para explorar parque é refeito - Valmir Denardin
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sexta-feira, 20 de fevereiro de 1998
Valmir Denardin 
Ney de SouzaJulio Gonchorosky, diretor do ParquePressões de agências de viagens e um parecer da Procuradoria da República no Paraná levaram o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a refazer o primeiro edital do Plano de Revitalização do Parque Nacional do Iguaçu. O edital prevê a exploração comercial de dois roteiros turísticos aquáticos na área das Cataratas: o Macuco Safári e a Trilha do Poço Preto.
A proibição da formação de consórcios e os privilégios estabelecidos para empresas que já atuam em unidades do Ibama - as principais reclamações da Abav - foram revistas ou atenuadas no edital relançado. Em entrevista à Folha, o oceanógrafo Julio Gonchorosky, 37 anos, diretor do Parque Nacional do Iguaçu há um ano e meio, afirma que o órgão federal está disposto a discutir todos os pontos do projeto, que vai custar cerca de R$ 15 milhões à iniciativa privada e deverá entrar em funcionamento em 99, quando o parque completa 60 anos.
Folha - A diretoria regional da Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav) criticou o primeiro edital lançado. A Abav condenava principalmente o favorecimento a empresas que já operam concessões do Ibama e a proibição da formação de consórcios. Que avaliação o senhor faz dessas críticas?
Julio Gonchorosky - Quando lançamos o edital, a primeira providência foi enviar cópias dele ao Ministério Público, para que fosse analisado. Em relação à não-possibilidade de consórcios, o Ministério Público concorda com a Abav, de que isso restringiria os grupos. Não concordamos com essa opinião, mas voltamos atrás. O edital foi refeito, aceitando os consórcios e reduzindo os benefícios de quem já trabalha em unidades de conservação.
Folha - Porque o Ibama não concorda com a formação de consórcios?
Gonchorosky - Para os passeios de barco e aéreos, queremos empresas. É questionável o conceito de consórcios, principalmente em relação aos critérios de segurança. No caso de vôos de helicóptero, por exemplo, precisamos de uma empresa tradicional que trabalhe com helicópteros. E não uma associação entre uma empresa de helicópteros e o vendedor de picolés da esquina. Qual é a minha certeza que a empresa de helicópteros vai trazer toda a sua experiência? Será que ela não está entrando só com seu nome e ganhando uma porcentagem?
Folha - E em relação ao privilégio às empresas que já atuam em unidades de conservação do Ibama? Existe mesmo?
Gonchorosky - Existe sim.
Folha - Não é desleal com os demais concorrentes?
Gonchorosky - Não. Nesse critério foram reduzidas as vantagens das empresas que já atuam em unidades de conservação. Mas as bonificações foram mantidas porque quem trabalha em uma unidade de conservação já está adaptado às regras de um parque nacional. Mesmo assim, essa experiência terá que ser atestada pelo órgão ambiental que administra essa unidade.
Folha - Quais são as principais mudanças do novo edital em relação ao anterior?
Gonchorosky - Agora se aceita consórcios de até quatro empresas e se reduz em mais da metade a pontuação para empresas que trabalham em unidades de conservação.
Folha - A que o senhor atribui esse descontentamento da Abav? O senhor concorda com o argumento de que as agências de viagens foram ignoradas no processo?
Gonchorosky - O edital foi publicado no Diário Oficial e em jornais de grande circulação nacional, o que é obrigatório. Eu já fiz umas 50 palestras sobre o assunto. Se não foi enviado um documento oficial à Abav, eles ficaram sabendo pela divulgação que houve na imprensa. Mas já sentamos com a Abav e acertamos mudanças nos editais, que satisfazem os questionamentos deles.
Folha - Outra reclamação da Abav é em relação ao transporte único no interior do parque, o que impediria a entrada na área dos veículos das agências de viagens. É possível que essa determinação seja mudada?
Gonchorosky - Vamos fazer reuniões para tentar incorporar essa proposta ao Plano de Revitalização, desde que ela não altere o projeto original. Queremos que os carros fiquem fora do parque, mas poderemos discutir a entrada de alguns veículos. Pedimos uma proposta da Abav para definir a que tipo de veículos e em que circunstâncias isso seria permitido.
Folha - Quando deverá ser iniciado o processo das outras concessões no parque?
Gonchorosky - Estamos aguardando as propostas da Abav em relação ao transporte. Nossa meta é lançar os dois novos editais (para passeios aéreos e infra-estrutura) na primeira quinzena de março. A infra-estrutura abrange estacionamentos, centro de visitantes, transporte, trilha suspensa, elevador, restaurante. O Plano de Revitalização está dividido em três grandes blocos: passeios aquáticos, passeios aéreos e infra-estrutura.
Folha - Quando todas as mudanças estarão implantadas?
Gonchorosky - Esperamos assinar os contratos em maio ou junho. Em janeiro, quando o parque fizer 60 anos, as primeiras estruturas já devem entrar em funcionamento.


