Edifício de 17 andares desaba e outros três estão ameaçados
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 16 de outubro de 1997
Agência Folha São José do Rio Preto 
Pierre Duarte/Agência Estado
(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)FenômenoEscombros do Edifício Itália, de 17 andares, que desabou ontem, em São José do Rio PretoUm edifício de 17 andares caiu ontem às 6h20 em São José do Rio Preto (451 quilômetros a noroeste de São Paulo). Os escombros, estimados em 500 toneladas, atingiram quatro casas, um posto de combustível, quatro andares de um prédio e um andar de outro, a uma distância de cem metros. Não há informações oficiais sobre mortos ou feridos, mas o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil não descartaram totalmente a possibilidade de vítimas.
O edifício Itália, que caiu, integra um condomínio de alto padrão de três prédios de 17 andares na Vila Imperial. Os outros dois, Espanha e Portugal, também correm o risco de desabar.
Duas estações de medições instaladas pela prefeitura para detectar a situação dos dois prédios indicaram que um deles apresentou inclinação de 10 centímetros. Se não caírem, os dois prédios podem ser implodidos, segundo o engenheiro Kleber Sellmann Nazareth Duque, membro da incorporadora que terminou a construção.
O edifício Luiz de Camões, de dez andares, atingido parcialmente pelos escombros, também corre risco de desabar sobre o que restou do posto de combustível e atingir outro prédio, o Parati. Ele sofreu uma inclinação de alguns centímetros.
A Secretaria de Obras colocou no final da tarde escoras nos pilares de sustentação do prédio. Outra medida estudada era retirar os 300 mil litros de combustível do posto para evitar eventual explosão em caso de novo desabamento.
O condomínio seria inaugurado no próximo dia 27. Já moravam nos três prédios 14 famílias, incluindo juízes, médicos, empresários, advogados e promotores. No edifício que desabou moravam três dessas famílias. Os moradores começaram a ouvir barulhos, descritos por eles como explosões e trovões, e sons de vidro se quebrando a partir das 3 horas de ontem. O Corpo de Bombeiros foi acionado às 5h51. No total, 65 pessoas foram retiradas das residências em um raio de 150 metros do local. Às 6h10, foi retirado o último morador do edifício Itália. Dez minutos depois, o prédio caiu. Uma moradora do edifício Luiz de Camões não conseguiu sair antes da queda. Ela passou mal e foi socorrida no hospital. Seu nome não foi revelado.
Peritos da Polícia Científica e do Corpo de Bombeiros entraram no edifício Portugal às 14h30, no mesmo instante em que começou a chover. A força da queda atingiu as galerias pluviais da rua Luiz de Camões. Para evitar infiltrações na estrutura dos outros prédios, o fornecimento de água na região foi interrompido.
O trânsito na avenida Bady Bassitt, uma das duas principais da cidade, foi interrompido nos 300 metros próximos ao local, provocando congestionamento nas ruas paralelas.
Laudo - O que causou a queda do edifício Itália e de quem é a responsabilidade? Estas eram as duas principais perguntas feitas durante todo o dia de ontem a engenheiros, peritos, secretários de governo e advogados envolvidos na administração do condomínio. Não havia respostas. O engenheiro Valter Frederico, responsável pelo projeto de fundação dos edifícios, não quis dar entrevistas. Ele afirmou que só vai falar quando houver algum laudo conclusivo.
O presidente da Sociedade dos Engenheiros de São José do Rio Preto (SP), Afonso Monteiro, disse que o fundamental é saber se houve falha no projeto ou na execução da obra.
O engenheiro Valter Edson Lázaro, responsável pela fase de acabamento do edifício, disse que a estrutura do prédio não tinha uma falha. Aconteceu um fenômeno (sic), só pode ser.
Técnicos do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) foram convocados para estudar as causas. O engenheiro Jorge Abdanur, da Polícia Científica, disse que qualquer diagnóstico é prematuro sem um laudo técnico. O prédio que caiu estava segurado em cerca de R$ 4 milhões, segundo Kleber Sellmann Nazareth Duque.


