EDF arremata ações da Light em poder da BNDESpar16/Mar, 17:18 Por Maria Fernanda Delmas e Gustavo Alves Rio, 16 (AE) - A Électricité de France (EDF) comprou hoje a parte do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no controle da Light, a distribuidora de energia do município do Rio de Janeiro. Única participante do leilão das ações que ainda estavam com o governo, a EDF pagou o preço mínimo de R$ 506.334.902 pelo lote. A empresa francesa está disposta a comprar o resto do controle da distribuidora, admitiu o diretor-presidente da EDF no Brasil, Patrick Voegel. "A EDF está interessada e vai examinar as propostas que aparecerem", afirmou Voegel, sobre a possibilidade de comprar as ações da Companhia Siderúrgia Nacional (CSN) ou das norte-americanas AES e Relliant no controle da empresa. "Mas ainda não fomos procurados por ninguém para negociar", ressalvou o executivo, após o leilão, na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro (BVRJ). Apesar dos poucos detalhes, Voegel indicou pela primeira vez a reestruturação no grupo Light que está sendo aguardada pelo mercado. Na avaliação de analistas do mercado de energia, a EDF deve assumir o controle da Light, enquanto que a AES passará a deter o controle da Metropolitana, em São Paulo, onde a companhia francesa deve retirar sua participação. A empresa norte-americana também possui linhas de transmissão de energia e a empresa de geração Tietê no Estado. Voegel informou que a EDF pode ampliar seus negócios no Brasil também por meio de investimentos na geração de energia. Durante o leilão, o representante da Relliant no Brasil, Steven Schuller, disse que a companhia planeja vender seus ativos na América Latina - inclusive as ações na Light e Metropolitana. "Queremos nos concentrar em geração de energia na Europa e nos Estados Unidos", afirmou Schuller. A CSN também já informou publicamente a intenção de vender sua parte na distribuidora de energia, lembrou o presidente da Light, Michel Gaillard. O BNDES vendeu 9,23% do capital total da Light, que estava em poder do BNDESpar, empresa de participações do banco estatal. O dinheiro para a liquidação do negócio, na segunda-feira, virá do Exterior, segundo a EDF. Com o leilão, a companhia francesa passa a ter 20% das ações do bloco de controle da distribuidora - composto também por 11,46% de participação da Relliant e AES e de 7,32% do CSN. A EDF também passou a ter 40% de participação no total das ações. O aumento da participação da multinacional européia não vai mudar, por enquanto, a administração da Light, que segue as normas estabelecidas em um acordo de acionistas, afirmou Voegel. "O acordo continua em vigor", disse, lembrando que, antes do leilão, a companhia francesa já detinha uma parte maior no controle. Com a saída do governo do controle da Light, a empresa pode ter mais facilidade em obter da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) autorização para operar também no mercado de telecomunicações, afirmou Gaillard. "Agora fica afastado o constrangimento que havia com a participação do BNDES", afirmou.

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