ECT rejeita remessa de correspondência para FHC
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quarta-feira, 12 de abril de 2000
Por João Naves de Oliveira (especial para a AE) 
Campo Grande, 13 (AE) - A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) rejeitou a remessa de correspondência do Movimento Nacional dos Produtores (MNP) para o presidente Fernando Henrique Cardoso. A remessa era de cartas contra a violência no campo. Segundo garantiu o diretor da entidade João Bosco Leal, uma consulta via fax, feita por ele aos Correios, teve a resposta de que se trata "um texto muito polêmico". Em seguida, foi informado de que, por causa do teor, a remessa "seria verificada pelo Departamento Jurídico dos Correios".
O assessor de Planejamento da empresa, Washington Rodrigues Marques, explicou que não foi exatamente isso o que aconteceu. "A princípio, os Correios não têm nada a ver com o texto do remetente; é responsabilidade dele, o remetente", disse. Depois, esclareceu que existe um contrato entre os Correios e o MNP, com alguns requisitos a serem cumpridos.
Uma das exigências é a de que o porte pago deve ser usado pelo contratado e não por terceiro. "O que aconteceu foi que o MNP distribuiu uma espécie de cartão postal durante a realização da Expogrande, que terminou na semana passada, para que as pessoas o assinassem e fizessem a remesse ao presidente da República, sem pagar a postagem, utilizando o número do porte pago do MNP; esse procedimento não está contratado com o MNP; nós temos um serviço especial sobre o porte pago para terceiros; seria um outro contrato", afirmou.
Leal não aceita essa explicação, dizendo que a carta a FHC será entregue pessoalmente. "Resolvemos deixar os Correios para lá, e vamos até Brasília fazer a entrega da carta; será quando encerrar a coleta de assinaturas contra a violência no campo", disse. Ele acredita que pelo menos 200 mil assinaturas de produtores rurais de São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Mato Grosso do Sul serão coletadas. "O que houve com os Correios foi uma censura contra nós", afirmou Leal.
"Estamos fazendo uma corrente, cujos elos são representados por produtores rurais de todo o País, para mostra o desespero do campo e clamar providências", diz a carta a Fernando Henrique.
O documento finaliza destacando que "é preciso trazer paz ao campo e dar novos rumos à reforma agrária, desvinculando-a da agitação e dos que querem a tomada do poder. Aja como estadista presidente !". No cabeçalho da carta, é destacado: "Baderna! Desordem ! Destruição! Que reforma agrária é esta?."


