Ecoponto tem moradia e cobrança irregular
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 31 de julho de 2013
Celso Felizardo<br>Reportagem Local 
Londrina - Desde o fechamento de cinco dos sete ecopontos de Londrina, há dois meses, o depósito de resíduos tem sido precário na unidade do Jardim Bandeirantes (zona oeste). Mesmo após a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) fechar os portões da área de despejo de entulhos e galhos, cerca de dez carroceiros continuam a fazer o despejo dos dejetos não recolhidos pelas coletas seletiva e orgânica. Eles assumiram a administração informalmente.
A desorganização é tamanha que até um grupo de seis catadores vive em uma barraca montada próximo aos montes de entulho. Durante o dia, mais gente se aglomera sobre colchões na moradia improvisada. São quase 15 pessoas. Alguns são dependentes de crack, outros fazem separação dos materiais "para garantir a alimentação e o cigarro", conforme revelou Claudinei Almeida Leite, de 49 anos.
Nas últimas semanas, quem procurou o ecoponto relatou que teve de pagar uma taxa para despejar os resíduos. O carroceiro Antônio Carlos de Carvalho, de 77, admitiu que ele e os colegas se organizaram para dar andamento aos serviços que estavam parados. Segundo Carvalho, uma taxa de R$ 3 para carroças e R$ 5 para pequenos caminhões foi adotada para pagar um dos dez carroceiros que "perdia o dia" para cuidar do local. "Nós dependemos do ecoponto, não podemos parar. Não haveria necessidade da cobrança se um agente municipal cuidasse daqui", justificou-se.
Sem supervisão apropriada, materiais que não deviam ser depositados no ecoponto, como sacos plásticos, se acumulam entre os entulhos. O jardineiro Graslei Everton Rossa de Oliveira, de 31 anos, descarregou restos de materiais de construção e teve o cuidado de separar todo o material plástico. "As embalagens e sacos plásticos vão para a reciclagem, mas nem todos pensam assim. Por isso é importante um funcionário da prefeitura para fiscalizar e evitar danos ambientais", cobrou.
Segundo a secretária de Assistência Social, Télcia Lamônica Oliveira, agentes do setor de Abordagem Social fizeram o levantamento da situação das pessoas que vivem no local, mas as informações ainda não foram analisadas. Os agentes tentarão conseguir uma saída pacífica dos invasores.
De acordo com a CMTU, apenas três ecopontos da cidade estão em funcionamento: no Jardim Santa Rita 5 (zona oeste), Jardim Primavera (zona norte), e Jardim Nova Conquista (zona leste). O ecoponto do Jardim Bandeirantes deveria estar fechado, sem atividades. A cobrança da taxa pelos carroceiros foi apontada como irregular. A companhia estuda uma medida para remover os invasores e não descarta até mesmo uma ação de Polícia Militar para fazer a reintegração de posse.


