São Paulo, 12 (AE) - O principal risco das denúncias envolvendo a venda de informações privilegiadas por um funcionário do Banco Central é a paralisação da agenda de reformas no Congresso Nacional, segundo economistas e integrantes do mercado financeiro. A possibilidade de que as denúncias, junto com a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o sistema financeiro, prejudiquem a imagem do País com os investidores internacionais foi considerada "mínima".
Na avaliação do professor da Unicamp, Luiz Gonzaga Belluzzo, as denúncias (e as invesigações) terão um "efeito marginal e não decisivo" sobre o retorno do fluxo de capitais ao País, pois o mercado internacional já está fechado para os países emergentes. "O problema é atrapalhar a pauta do Congresso Nacional", diz ele.
Arturo Porzecanski, economista-chefe do ING Barings para as Américas, diz que a investigação pelo Congresso pode até ter um efeito benéfico, se definir regras mais claras de atuação do Banco Central. Ele comparou as investigações com a troca de comando no BC. "Pode ser uma mudança para melhor", afirmou. "Mas ninguém quer ver o Congresso Nacional parado", advertiu. "Enquanto parte dos parlamentares estiver investigando, os demais precisam manter a agenda de discussão das reformas", defendeu.
O presidente do Banco Pactual, Luís Cezar Fernandes, não creditou as quedas iniciais nas bolsas brasileiras, hoje, às denúncias. Na sua avaliação, não há risco de que o mercado seja negativamente afetado por elas. "Tecnicamente não vejo vinculação, porque já passou o risco de uma crise financeira sistêmica", disse.
"Além disso, acredito que não haverá consequência maior para o mercado porque tudo está na base do diz-que-diz, sem nenhuma comprovação", continuou. "O Cacciola é uma pessoa cohecida no mercado e as pessoas do BC que eventualmente pudessem estar envolvidas, já estão todas fora do banco", observou, referindo-se a Alberto Cacciola, dono do Banco Marka.

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