Economistas prevêem volta do crédito internacional
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domingo, 07 de março de 1999
Por Denise Neumann 
São Paulo, 08 (AE) - O desenho da nova política cambial e a confirmação de uma ação fiscal austera - dada pela meta de um superávit primário de 3,1% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano - podem ajudar na recuperação da credibilidade internacional do País, dizem economistas consultados pela AGÒNCIA ESTADO. "Talvez, em um ou dois meses, o País já poderá fazer uma emissão soberana", pondera Dany Rappaport, economista-chefe do Banco Santander.
Para Mauro Schneider, vice-presidente de Pesquisa do ING Barings, o desenho dado ao câmbio permite ganhar espaço na batalha da credibilidade, mas sinais fiscais concretos serão fundamentais para um retorno consistente do financiamento externo.
A obtenção do superávit de 3,1% do PIB, diz ele, ainda depende do anúncio de novas medidas de ajuste fiscal, especialmente corte de despesas. Hoje o governo confirmou a redução nos investimentos das estatais, elevando a meta de superávit primário na conta das companhias públicas de 0,4% do PIB para 0,6%. Para Estados e municípios, a meta foi mantida em 0,4% do PIB.
A nova política cambial, segundo os economistas, deve auxiliar na redução da volatilidade do câmbio. Pelas novas metas
a taxa de câmbio estará em R$ 1,70 no fim do ano, indicando uma valorização nominal do dólar de 40%. Em termos reais, considerando a projeção de inflação de 16,8% em 1999, a correção será de 20,3%.
"Os valores definidos conferem um grau de manobra bastante razoável ao Banco Central", observou Schneider, comparando os vencimentos mensais em dólar e as quantias que o governo se propôs a vender entre os meses de março e junho.
Sobras - "Em março, deve sobrar recurso", calculou Rappaport, referindo-se aos US$ 3 bilhões que o BC anunciou que pode vender e o total de vencimentos de eurobônus, financiamentos à importações e outros pagamentos que devem ser feitos neste mês.
"O acordo trouxe a definição de uma nova política cambial", resumiu Roberto Padovani, sócio da Tendências Consultoria Integrada. Essa política, explicou, pode ser chamada de "flutuação suja", na qual o governo vende dólares no mercado, embora o modelo seja "livre". O modelo completa-se com a trajetória explícita para o câmbio: R$ 1,70 no fim deste ano, R$ 1,77 em 2000 e R$ 1,84 em 2001.
A estimativa de um superávit comercial de US$ 11 bilhões foi considerada "muito otimista". "Parece que o governo espera um movimento de substituição de importações muito forte"
pondera Padovani. A queda do PIB entre 3,5% e 4,0% é semelhante à estimativa de Schneider, mas Rappaport acha que a recessão será menor.


