Economistas prevêem que crescimento pressionará balança em 2000
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domingo, 17 de outubro de 1999
Por Gustavo Alves 
Rio, 18 (AE) - O crescimento econômico previsto para o próximo ano trará reflexos negativos para a balança comercial, que devem ser atenuados pela flutuação do real, segundo análise de economistas de instituições de pesquisa e consultorias. A volta do desenvolvimento deve aumentar a procura por produtos importados e desviar para o mercado interno parte da produção que iria para o exterior. Mas a flutuação da moeda, aliada a outras mudanças no comércio internacional, deve diminuir este impacto.
O economista Roberto Padovani, da Consultoria Tendências
acredita que se o Produto Interno Bruto (PIB) crescer 4%, como estima o governo, a balança comercial fecha o ano de 2000 em equilíbrio, com as exportações igualando as importações. No entanto, o próprio Padovani trabalha com o crescimento de 3% - o que resultaria em superávit de US$ 2,5 bilhões, pelos cálculos do especialista em comércio exterior.
"Com certeza, haverá pressão maior nas contas de importação e turismo", citou. Padovani admite que caso o dólar valorize-se, por esta maior procura, o efeito na balança será atenuado. "Não dá para falar que o efeito será zerado pelo câmbio", alertou. "Mas isso reduz em boa medida a pressão".
O coordenador de Política Econômica da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), Flávio Castelo Branco, é menos pessimista do que Padovani. Para o economista, após a volta do desenvolvimento, a maior necessidade de importações não chegaria a afetar negativamente a balança, por causa de outros fenômenos previstos para o mercado mundial: o crescimento do consumo e o aumento dos preços dos produtos básicos exportados pelo Brasil.
"O mercado lá fora não estava muito a favor, mas a situação vem mudando um pouco", avaliou o coordenador da CNI. Ele acrescentou que investimentos diretos também previstos para ingressar no País ano que vem e a maior facilidade para o Brasil rolar sua dívida com títulos devem influir positivamente na balança de pagamentos - soma de todas as transações realizadas pelo País com o exterior, inclusive a balança comercial.
Outras mudanças - O economista Lauro Vieira de Faria, da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro (FGV-RJ), acrescentou a probabilidade da baixa dos preços de petróleo aos outros fatores citados por Castelo Branco para demonstrar que o efeito do desenvolvimento sobre a balança comercial não será tão danoso. Segundo Vieira de Faria, a redução das exportações e o aumento das importações só aconteceria de forma intensa caso todos os outros fatores que regem a atividade econômica permanecessem inalterados.


