Economistas prevêem nova queda de juro no dia 23
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segunda-feira, 07 de junho de 1999
Por Denise Neumann 
São Paulo, 8 (AE) - Os economistas esperam nova redução da taxa de juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para o dia 23. A queda deve ser semelhante à anunciada hoje - de 1,5 ponto porcentual -, com a Selic ficando entre 20% e 21%.
Na avaliação de Odair Abate, economista-chefe do Lloyds bank, e Dany Rappaport, economista-chefe do Banco Santander, as taxas de juros do Brasil continuarão com a tendência de queda nos próximos meses, mas será uma trajetória mais lenta do que ocorreu entre março e maio. Rappaport projeta uma taxa básica de 17% no fim do terceiro trimestre e Abate espera o mesmo porcentual para o fim do ano.
"A demora em anunciar uma nova queda difundiu uma preocupação entre os investidores de que o Banco Central do Brasil imaginava que não havia espaço para novas quedas", observou Rappaport. "Com a queda anunciada hoje, o BC consertou essa situação", acrescentou.
Abate pondera que não manter a trajetória de queda seria o mesmo que admitir uma fragilidade maior do que a que existe na economia brasileira. O BC, lembrou ele, vem sustentando que as taxas de juros internas estão sendo determinadas pelo comportamento da inflação. Não manter o viés de baixa, observou, seria o mesmo que atrelar os juros brasileiros aos juros norteamericanos.
Para Rappaport e Abate os juros podem manter a trajetória de queda sem impacots para o fluxo de capital para o País porque as taxas internas ainda são muito altas. "O dinheiro saiu no ano passado não porque os juros eram baixos, e sim pelo contrário", observou Rappaport. "A preocupação dos investidores é que taxas altas tornam a dívida pública impagável", acrescentou.


