Cingapura, 09 (AE-AP) - Enquanto Timor Leste se afunda cada vez mais no caos, economistas e analistas estão dizendo que a resposta da Indonésia à crise poderá determinar o futuro econômico do imenso país.
"A forma como a Indonésia tratar o caso falará alto para os investidores sobre o governo indonésio e as forças armadas", afirmou Friedrich Wu, economista-chefe do Banco de Desenvolvimento de Cingagura, o maior banco do Sudeste Asiático.
"Se eles não lidarem bem, haverá uma verdadeira preocupação em Cingapura e na região sobre o futuro econômico da Indonésia", disse Wu.
A Indonésia, o quarto mais populoso país do mundo, está sendo severamente criticada por sua conduta em Timor Leste, cuja forte votação pela independência foi acompanhada pelo terror provocado por milícias pró-Jacarta.
As Nações Unidas estimam que 150.000 a 200.000 pessoas fugiram de suas casas, ou da própria província, desde que foi anunciado no sábado que 78.5% dos votantes querem que a região se torne independente da Indonésia, num referendo patrocinado pela ONU em 30 de agosto.
A Indonésia tem acusado as Nações Unidas de terem fraudado a votação. No começo desta semana, a Indonésia declarou lei marcial no território, dizendo que o objetivo era parar com a violência.
Mas a ONU e grupos de direitos humanos internacionais afirmam que o exército da Indonésia está ignorando, ou mesmo cooperando com, as milícias armadas que promovem saques e incêndios, assim como aterrorizam e expulsam timorenses orientais.
Até agora, dizem analistas em Cingapura, os trágicos eventos no remoto território não têm pertubado as economias regionais, a maior parte delas recuperando da crise econômica de 1997.
Mas eles afirmam que estão preocupados que os eventos em Timor Leste venham a provocar o aumento dos distúrbios em duas outras províncias da Indonésia, o que provocaria abalos políticos e econômicos em toda a região.
Os 200 milhões de habitantes da Indonésia pertencem a centenas de grupos étnicos e estão espalhados em mais de 13.000 ilhas.
"O cenário juízo final seria que a crise em Timor Leste culminasse com um desmembramento maior da Indonésia", disse Desmond Supple, diretor de pesquisa econômica do Barclays Capital Asia.
"Em tais circunstâncias, nenhum país da ásia ficaria imune das consequências", afirmou Supple.
A Indonésia foi a mais afetada na recente crise econômica e sua economia é agora na maior parte alimentada por programas internacionais de ajuda. O Banco Mundial advertiu no começo da semana à Indonésia que, se o país não conseguir conter o caos, ficarão ameaçadas promessas de ajuda internacionais feitas em julho.
A crise também poderia deixar a mais populosa nação islâmica do mundo, que deve escolher seu novo presidente em novembro, sem uma forte liderança num momento crítico.
"Se países retirarem sua ajuda econômica, isto teria um impacto muito adverso na recuperação econômica da Indonésia", afirmou Wu.
Ele acrescentou: "O Timor Leste per se não tem importância estratégica ou econômica" para a região.
"Mas tudo dependerá de se o governo indonésio pode isolar esse incidente e sufocar o levante militar local", disse.

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