Economistas merecem nota zero Do correspondente GILLES LAPOUGE
Paris, 17 (AE) - Desde muito longa data, sabemos que a economia é uma ciência fantasista. No que se refere às "previsões econômicas" a perspectiva é engraçada quanto os livros de Paulo Coelho, os horóscopos ou as profecias do costureiro francês Paco Rabanne sobre o fim do mundo.
Refresquemos a memória: quando o rublo russo caiu, em agosto de 1998, o mundo se preparou para o apocalipse. O fabuloso Japão era um "campo de ruínas" onde os operadores da Bolsa, os industriais, os especuladores se suicidavam.... A Rússia estava "nocauteada". Na Europa, houve uma grande confusão: a melhor aluna, a Alemanha, estava em estado de apatia e languidez. A França e a Itália atravessavam uma área de "turbulência aérea". É verdade que os Estados Unidos estavam sempre robustos e alegres. Mas, exatamente esta saúde insolente dos Estados Unidos, no meio de um mundo em confusão, multiplicava as angústias: a expectativa era de que os Estados Unidos entrassem em crise e que a "bolha especulativa" estourasse lá também.
Hoje, um ano após, neste mês de agosto de 1999, todas as catástrofes programadas pelos economistas e os jornais falharam. Era tudo falso. A "tarefa" dos especialistas merece nota "0" sobre 20. Em todos os lugares em que foram prognosticados desastres, existe agora um quadro risonho ou pelo menos encorajador. Até mesmo os grandes enfermos - Japão e Rússia - lançaram ao ar suas muletas e se puseram a caminhar, embora ainda mancando.
Esta recuperação inesperada acontece em termos macroeconômicos. Até mesmo as autoridades mundiais, outrora tantas vezes induzidas em erro, reconhecem que pecaram por pessimismo. O gerente geral do FMI, Michel Camdessus, afirmou: "A taxa de crescimento de 1998 será o ponto básico do ciclo. A partir de 1999, deveremos esperar uma taxa mundial de crescimento de 3,5%". Na Europa, a retomada é tão brusca que colhe todo mundo de surpresa. A Alemanha e a Itália , os dois "enfermos", estão em plena forma. A Grã-Bretanha, acostumada a um crescimento fraco, prevê atualmente um crescimento de 2% ao ano, uma inflação reduzida a zero, uma taxa de desemprego mais baixa, de 4,3%.
Quanto à França, nem se fale! Tudo está "no verde". Inflação nula.
Desemprego com um decréscimo de 300.000 pessoas em um ano, moral dos negócios em seu auge, empresários encantados, contas do país em ordem.
O paradoxo é este: os impostos, engrossados em virtude deste forte crescimento, estão entrando a pleno vapor e não se sabe mais o que fazer com os superávits orçamentários do Estado. O ministro das Finanças chega a fornecer números mentirosos dos superávits de seu orçamento, calculados por baixo.
Naturalmente, este quadro é geral. Seria preciso especificar as diferenças regionais. Por exemplo, se é verdade que o Brasil demonstrou uma resistência extraordinária depois da desvalorização de janeiro, os tumultos continuam. O Mercosul está em crise e, em alguns países, a morosidade predomina (Na Venezuela, está previsto um recuo do crescimento, de 3% a 10%, neste ano).
Restam os Estados Unidos, que continuam a causar estupefação aos especialistas, "acumulando" seu nono ano de crescimento ininterrupto. Lá também os autores de previsões tiveram que revisar humildemente suas teorias sobre os ciclos, etc... Entretanto, esta saúde fabulosa começa a preocupar: novos profetas anunciam que a saúde norte-americana é na realidade uma doença. Os norte-americanos vivem muito acima dos seus meios . Estão dopados por uma Bolsa em delírio. Um "crack" está à espreita para estourar Wall Street. E então, quando a bolha americana estourar, o mundo inteiro será avassalado pela tormenta.
Ouçamos estas previsões dispersas, algumas demasiado otimistas, outras pessimistas demais, evitando apenas acrescentar nossas próprias previsões às desses milhares de especialistas que sempre se enganam.
Contentemo-nos em constatar o fato; as calamidades que estavam à nossa porta há um ano, não se concretizaram.
Com certeza, os problemas, as misérias, os perigos não desapareceram em toda a parte. Mas, em termos mundiais, devemos reconhecer que, neste mês de agosto, aniversário da crise do rublo, que deixou todo mundo enlouquecido no dia 17 de agosto de 1998, o pior não aconteceu. E que o mundo recomeça a respirar.





