Economistas mantêm previsão de impacto limitado do preço do petróleo na balança
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domingo, 20 de fevereiro de 2000
Por Paula Puliti 
São Paulo, 21 (AE) - Apesar da forte alta no preço do barril de petróleo nos últimos dias, economistas-chefes de bancos e consultores estão mantendo as projeções deste ano para a balança comercial brasileira. "O preço do petróleo terá impacto limitado na balança", diz o economista-chefe do Banco Santander, Dany Rappaport. Segundo o economista-chefe do banco espanhol, a avaliação da instituição sobre o preço do petróleo mostra um impacto de US$ 540 milhões na balança, se o preço médio ficar até 25% acima do ano anterior. "Trata-se de um cenário até pessimista porque o aumento da produção interna pode até provocar uma diminuição nos volumes importados", afirma. O Santander projeta superávit de US$ 4,3 bilhões na balança deste ano. A média de preços em 1999 ficou em cerca de US$ 19 o barril (NYMEX), mas bateu em US$ 30 na semana passada.
O economista-chefe do ABN Amro, Rubens Sardenberg, acredita que ainda é cedo para qualquer revisão nas projeções da balança comercial. Primeiro, diz, porque a tendência do preço do petróleo não está definida. "Acredita-se as cotações recuem, mas a dúvida é quanto será o recuo." Ele esclarece ainda que o fim do inverno nos Estados Unidos, as perspectivas de aumento da produção e a curva do preço do petróleo futuro apontam para o declínio nos valores. Ele também considera o aumento da produção nacional um fator importante para diminuir o impacto do petróleo na balança. Pelos cálculos de Rosemberg, o preço médio do petróleo entre US$ 23 e US$ 24 o barril teria um impacto na balança entre US$ 300 milhões e US$ 400 milhões. O ABN projeta saldo comercial, neste ano, entre US$ 3 bilhões e US$ 3,5 bilhões. "É razoável esperar até o fim do primeiro trimestre para se pensar em alguma revisão", afirma o economista.
Na avaliação do vice-presidente da Sobeet (sociedade de estudos de empresas transnacionais e globalização), Antonio Corrêa de Lacerda, a expectativa é de que, com o fim do inverno nos Estados Unidos, o preço do petróleo recue, ficando, na média do ano, com preço inferior a US$ 25 o barril. "Nesse patamar, não vamos alterar nossas projeções", afirma. A Sobeet estima resultado da balança comercial para este ano positivo em US$ 3 bilhões. O economista da Tendências Consultores Roberto Padovani afirma que não está revendo a projeção de US$ 2 bilhões no saldo da balança comercial porque havia traçado um cenário menos otimista para a economia mundial. "O impacto do petróleo deve confirmar nossa previsão", explica. A equipe econômica do Banco BBA Creditanstalt também mantém os números previamente divulgados para resultado da balança comercial em US$ 4,5 bilhões.


