Economistas do PFL criticam política econômica
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quarta-feira, 05 de maio de 1999
Por Lige Albuquerque 
Brasília, 06 (AE) - Economistas do PFL convidados para discursar na abertura da convenção do partido, hoje, criticaram a equipe econômica do governo federal - que a legenda ajudou a eleger e do qual participa. A presença do vice-presidente da República, o pefelista Marco Maciel, não inibiu afirmações como a do economista Paulo Guedes: "As reformas começaram, mas ao ritmo tucano, típico, que voa baixo e devagar."
O ex-prefeito carioca César Maia completou: "Não basta comando e liderança do governo federal, é necessário ter personalidades fortes na equipe econômica, o que não existe hoje." No fim das explanações, o presidente nacional do partido
senador Jorge Bornhausen (SC), tentou desfazer o mal-estar, afirmando que o partido é "liberal" e admitia críticas.
O PFL lança amanhã (07) a proposta de candidatura própria para a Presidência da República, defendendo extra-oficialmente nomes como do presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (BA), e da governadora maranhense, Roseana Sarney. O partido pretende ter os holofotes direcionados aos membros da legenda.
Para o secretário-geral do PSDB, deputado Artur Virgílio (AM), o fato de o PFL lançar, no primeiro ano do governo Fernando Henrique Cardoso, uma candidatura própria visando a 2002 não incomoda os tucanos. "Todo partido quer o poder e o PFL não iria ficar para sempre correndo ao lado do PSDB", afirmou. "Mesmo parecendo cedo, o partido está tendo o cuidado de não lançar oficialmente nenhum nome." As críticas dos economistas, o deputado não quis responder. "Mas, pelo nível dos acadêmicos, deve haver coisas a se aproveitar."
Maciel declarou que as crises enfrentadas no atual governo têm "efeito pedagógico" para o "futuro" - para o projeto de governo de 2002 do PFL. "O País e o partido estão habilitados para o futuro: o que é necessário é gerar uma cultura de governabilidade, sem deixar de mão o andamento das reformas política, tributária e todas as outras ainda neste governo."
As críticas à gestão da economia brasileira foram começaram nas explanações de Maia, Guedes, e dos economistas Daniel Dantas e Paulo Rabello de Castro. As declaraçãoes foram centradas na idéia de que os problemas econômicos do País hoje têm raiz na campanha para a reeleição em 1998. "Em vez de serem tocadas a reforma tributária e fiscal, a prioridade foi a reeleição, tendo como consequência a necessidade de um ajuste fiscal emergencial", explicou Guedes.
Castro fez elogios ao partido e ao projeto para 2002, afirmando que o PFL é o único que pode ocupar um "vácuo de poder". Para o economista, o mote "Avança, Brasil!", usado na campanha presidencial, "está sendo adiado para mais tarde". O economista foi o único que definiu estar falando em nome do partido e afirmou que, quando o PFL assumir o poder, deverá estar preparado para uma "grande revolução social e econômica".
Dantas apontou defeitos na condução nas privatizações do País. Para o economista, realizar privatizações com objetivo de cobrir despesas do governo é "incoerente". "Vende-se patrimônio para financiar despesas de emergência e não para pagar dívidas que o governo não encontra formas para pagar", disse. "O governo hoje parece que privatiza também porque vê maior eficiência na gestão do setor privado do que na sua própria capacidade de comando."
O País, para Maia, está vulnerável a outras crises econômicas. "O Congresso não pode continuar se prestando a votações de emergência de ajustes fiscal, enquanto as reformas são adiadas", defendeu. Para o ex-prefeito carioca, não há "personalidades" na equipe econômica.
"Pensei que o Ministério de Desenvolvimento Econômico fosse ter um papel mais forte, mas não se vê nada", considerou. Na visão de Maia, até agora, não há regras do jogo definidas para o Brasil ser, no próximo século, o "país do futuro". "O PFL tem a missão de definir essas regras a partir do próximo século", afirmou.


