Economistas dizem que governo terá trabalho para conter preços
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sexta-feira, 10 de dezembro de 1999
Por Mônica Ciarelli 
Rio, 10 (AE) - Os índices de preços já começam a dar sinais de queda. Mas economistas alertam que, apesar da trégua, o governo terá trabalho para manter a inflação dentro das metas fixadas para o próximo ano com o Fundo Monetário Internacional (FMI). "O primeiro trimestre será de taxas muito baixas, mas a inflação deve subir a partir de julho por conta das tarifas públicas e dos alimentos", previu o economista do Bank Boston, Marcelo Cypriano.
A instituição prevê inflação acumulada de 0,80% para o primeiro trimestre de 2000. "Os alimentos vão puxar a queda da taxa, neutralizando o impacto dos aumentos das tarifas públicas nos primeiros meses do ano", explica Cypriano. A partir desta data, segundo analistas do banco, os índices começarão a registrar uma aceleração nos aumentos de preços, principalmente, no segundo semestre.
A trajetória de baixa da inflação neste fim de ano pode abrir espaço para que o Conselho de Política Monetária (Copom) volte a adotar um viés de queda, segundo o economista-chefe do Citibank, Carlos Kawall. "O resultado veio abaixo do esperado"
comentou. "Poucos estavam prevendo uma taxa inferior a 1% para novembro." O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) divulgado hoje pelo IBGE, registrou variação de 0,95% no período.
Para o ano que vem, a expectativa é que o governo não consiga atingir o ponto alvo da meta de inflação, com o IPCA encerrando em alta de 7%. Se o cenário traçado pelos economistas for confirmado, será o segundo ano em que a taxa ultrapassará em um ponto percentual o alvo central, fixado em 6% para 2000. Neste ano de 99, o IPCA já acumula variação de 8,29% até novembro, ligeiramente acima dos 8% traçados pelo governo em julho.
Os economistas do Bank Boston e do Citibank concordam que as tarifas públicas vão continuar liderando a lista das principais pressões nos índices. Eles ressaltam que vários contratos são corrigidos pela variação do IGP-M, o que deve pressionar o custo de vida para a população. "As tarifas sobem menos do que este ano, mas ainda serão uma fonte grande pressão", argumentou Kawall.
Já o economista-chefe do Banco Bilbao Vizcaya (BBV), Octávio de Barros, alertou para a possibilidade de o Brasil não conseguir cumprir a metas trimestrais acordadas com o FMI entre julho e setembro. "O indicador acumulado dos últimos 12 meses ficará acima das metas, o que pode causar algum tipo de ansiedade no mercado financeiro", explicou. Apesar do desvio de rota neste período, Barros afirmou que a meta anual será cumprida pelo governo em 2000.


