São Paulo, 07 (AE) - Não há consenso entre economistas sobre a necessidade de desvalorização do câmbio na Argentina. Para o economista Ruben Almonacid, da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo, por exemplo, a Argentina caminha para ser a bola da vez. Ele acredita que o principal problema do país vizinho é o desequilíbrio dos preços relativos que determinam os investimentos no País. Uma situação bastante parecida à do Brasil de antes da desvalorização do real.
A questão, segundo ele, não foi resolvida por programas econômicos como se esperava e, apesar da melhora dos preços de algumas importantes commodities exportadas pelo país, o problema do desequilíbrio não foi resolvido em definitivo, explicou, durante Seminário sobre Investimentos e Oportunidades, realizado pela Linear em parceria com a Goldman Sachs, hoje em São Paulo.
"A única forma é fazer o ajuste de câmbio", assegurou o economista, destacando a coincidência da situação mexicana de 1994 em relação à da brasileira do ano passado e da Argentina de hoje. A crise instalou-se nessas economias às vésperas do período de eleições presidenciais num claro sinal de que fatores políticos acabaram retardando as medidas de ajuste. As eleições na Argentina estão marcadas para outubro.
O especialista em mercados emergentes da Goldman Sachs, Paulo Leme, discorda de Almonacid. Para ele, a desvalorização da moeda seria o pior caminho para o país vizinho. Além de provocar estragos enormes nos índices de inflação, do ponto de vista monetário é impraticável porque a economia argentina é praticamente dolarizada.
Ele afirma que o maior problema da Argentina é o desaquecimento econômico provocado pela forte retração da economia brasileira e pela própria desvalorização do real. Um cenário que deve mudar a partir do terceiro trimestre, quando a economia do Brasil começar a dar sinais de recuperação. O economista reconhece, no entanto, que existe um forte desequilíbrio dos preços relativos na Argentina, que poderia ser corrigido sem desvalorizar a moeda, como reduzir salários ou a carga fiscal.

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