Economistas defendem incentivo a exportações e proteção a indústria
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quarta-feira, 08 de setembro de 1999
Por Gustavo Alves 
Rio, 09 (AE) - Os economistas Paulo Nogueira Batista Júnior, da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP), e Luiz Gonzaga Belluzzo, da Universidade de Campinas (Unicamp), defenderam a adoção de políticas de incentivo às exportações e proteção às empresas nacionais, no seminário "Desenvolvimento: o Fato e o Mito", hoje de manhã, na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj). "Em economias menos desenvolvidas, o Estado tem papel mais importante", afirmou Batista.
O economista da FGV-SP esclareceu que não defende o fechamento da economia. Para ele, o incentivo às empresas nacionais seria conseguido com o investimento na recuperação de áreas "estratégicas" do Estado, como o Banco Central (BC), a Receita Federal e as instituições de apoio ao comércio exterior. "Você não consegue um Plano Plurianual (PPA) eficiente se o Estado não estiver aparelhado para isso".
Belluzzo defendeu políticas de apoio a setores específicos, como o de bens de capital, eletroeletrônicos e de metal-mecânica. O economista também defendeu o controle da movimentação de capitais estrangeiros - mas afirmou que o governo de Fernando Henrique Cardoso não poderia fazer isso, para não entrar em choque com sua base de apoio.
Batista também admitiu que as políticas que defende não poderiam ser adotadas pelo governo atual. "O governo está amarrado a estratégias que dificultam a mudança". Ele afirmou que deve ser feita uma "reflexão" sobre as políticas econômicas adotadas nesta década, que tiveram resultados inferiores aos esperados. "A reflexão tem de ser feita inclusive pela oposição, que foi prisioneira de muitos dogmas e ilusões nos anos 90", acrescentou.
À tarde, o economista Antônio Barros de Castro, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, criticou as estratégias sugeridas por Belluzzo e Batista. "É olhar pelo retrovisor, para o que devia ter sido feito há dois anos", afirmou. Segundo Barros de Castro, políticas protecionistas podem impedir a modernização das empresas brasileiras.


