Economistas criticam governo
Brasília, 02 (AE) - Os políticos e militantes tucanos que estiveram hoje no Seminário Desenvolvimento com Estabilidade ouviram duras críticas às realizações do governo do presidente Fernando Henrique Cardoso. O economista Gilberto Dupas, que foi secretário de Agricultura de São Paulo, disse que os dados indicam uma piora nas condições sociais do País. "Que me perdoem os ministros Pedro Malan (da Fazenda) e Clóvis Carvalho (do Desenvolvimento), mas a questão social obviamente piorou", disse Dupas. Os dois ministros tinham, anteriormente, falado sobre os ganhos sociais decorrentes do Plano Real.
Dupas afirmou que, efetivamente, o Plano Real permitiu que milhões de trabalhadores tivessem acesso ao consumo. Mas disse que esse ganho está ameaçado por causa do repique inflacionário que se seguiu à desvalorização.
Para ele, o dado mais importante na análise desse período é o aumento do desemprego. "O desemprego nos últimos 10 anos dobrou", afirmou. Dupas criticou também o crescimento do número de trabalhadores que foram mandados para o mercado informal da economia. "Atualmente, 55% dos trabalhadores nas regiões metropolitanas não possuem carteira assinada", informou.
Ele acha que um Estado democrático precisa ter "um projeto de País" e disse que "desconfia" que o PPA, lançado pelo governo na terça-feira, "ainda é pouco".
O ex-ministro do Planejamento João Paulo dos Reis Velloso também não poupou críticas. Disse que "o Nordeste está muito pobre" e não existe um projeto para tirá-lo da situação em que se encontra. Para ele, a discussão sobre desenvolvimentistas e monetaristas é irrelevante. "O fato de o País ter uma boa política cambial, uma boa política monetária e um controle sobre a inflação é apenas o começo da história", afirmou.
O ex-ministro fez também um alerta aos tucanos. Apresentou a última conferência pronunciada pelo ex-ministro da Fazenda Mário Henrique Simonsen, em que este diz que países como o Brasil não podem conviver durante muito tempo com déficit superior a 2% do Produto Interno Bruto (PIB) em seu balanço de pagamentos. O déficit atual é superior a 4% do PIB.





