Economistas alertam sobre riscos da exposição4/Mar, 18:02 Por Vladimir Goitia São Paulo, 4 (AE) - Michael Mortimore, da Cepal, afirma que exposição das empresas espanholas na região representa um certo risco, principalmente depois de ágios gigantescos pagos para enfrentar os desafios da globalização. Ele acredita também que a "invasão espanhola" na América Latina provocou, até agora, três problemas que as empresas tentam contorná-los de alguma forma: um de ordem psicológica, outro de caráter estratégico e finalmente de dependência excessiva. "As críticas e reações negativas sobre a maciça e rápida inserção das empresas espanholas têm se intensificado nos principais mercados latino-americanos, e, em muitos deles, por causa da qualidade de operações monopolísticas", diz Mortimore no estudo da Cepal sobre investimentos estrangeiros na América Latina. Embora essas reações tenham alguns componentes nacionalistas, elas mostram certa legitimidade em relação ao funcionamento e o futuro dos mercados, acrescenta o economista. O segundo problema é que, para incrementar a sua presença na região, as empresas espanholas têm aproveitado certas lacunas na regulamentação dos países, fato que está gerando hoje alguns inconvenientes. "Pressionados pelo mercado e pela opinião pública, as autoridades locais estão analisando eventuais posições dominantes para verificar se determinada concentração afeta ou não a livre concorrência ou prejudica o usuário", diz a Cepal. Por isso, os órgãos reguladores começam a exigir de algumas empresas a venda de parte de seus ativos. Na Argentina, Chile e Venezuela, por exemplo, o Banco Bilbao Vizcaya Argentaria (BBVA) tinha participações maiores do que na Espanha. Assim, o BBVA e o Banco Santander Central Hispano (BSCH) se transformaram nas únicas instituições financeiras do mundo com posição dominante fora do mercado espanhol. Os bancos espanhóis representam hoje 32,5% dos ativos totais dos 20 maiores bancos estrangeiros na América Latina, superando as instituições norte-americanas, que não chegam a 30%. Situação semelhante vivem a Telefónica, na Companhia Riograndense de Telecomunicações (CRT), e a Repsol-YPF, na Argentina. Finalmente, o terceiro risco é a dependência excessiva da América Latina, o que incrementou a vulnerabilidade das companhias espanholas. "Em meados de 1998, com o recrudecimento da crise internacional e com as dificuldades enfrentadas pelo Brasil, a classificação de risco e o valor das ações das principais empresas espanholas sofreram quedas significativas", lembra a Cepal. As empresas espanholas, acrescenta o estudo, estão chegando à fase mais complexa de sua estratégia de expansão na América Latina: conseguir a plena aceitação e assimilação por parte dos mercados, das autoridades e do público". O Banco da Espanha (central) adverte que as aquisições na América Latina implicam riscos consideráveis e muito superiores aos derivados de operações bancárias tradicionais.