Washington, 17 (AE) - O temor de um aumento da taxa de juros nos Estados Unidos, provocado pelo salto de 0,7% da taxa de inflação americana em abril, anunciado na sexta-feira passada, derrubou as bolsas asiática hoje e manteve Wall Street e os demais mercados em baixa. A maioria dos analistas americanos acredita, no entanto, que o Federal Open Market Committee (FOMC)
o Copom dos EUA, manterá a taxa de redesconto inalterada em 4 5% em sua reunião de amanhã (18). Esta opinião é compartilhada por dezoito de dezenove economistas ouvidos hoje pela agência Reuters e por Lyle Gramley, um ex-membro do conselho de governadores do Federal Reserve, o banco central dos EUA, atualmente na associação nacional de bancos especializados no mercado imobiliário.
"Meu palpite é que (o presidente do Fed, Alan) Greenspan ainda não está preparado para puxar o taxa e que o resto da comissão está do seu lado", disse ele.
A dúvida, segundo Gramley e outros economistas, é se o Fed utilizará sua nova política de informar o mercado sobre mudanças importantes no rumo da política monetária anunciando a adoção de um viés formal em favor de um aperto nos juros mais adiante. Tal sinalização manteria os mercados na defensiva e introduziria um dado novo e complicador na estratégia de redução das taxas de juros que vem sendo seguida pelo Banco Central do Brasil.
O FOMC é composto por doze pessoas e tem oito reuniões por ano. Os sete integrantes do conselho ou "board" de governadores do Fed e o presidente do Federal Reserve Bank de Nova York são membros permanentes. Os outras quatro vagas são preenchidas por períodos de um ano pelos presidentes dos onze outros Feds regionais, em sistema de rodízio.
Para Diane Swonk, economista do Banc One Corporation, há 50% de chances de o FOMC tomar esse caminho. Gramley concorda. Segundo ele, se o Fed estiver buscando cobertura (política) para mudar o sinal da política monetária, a encontrará no ressurgimento da inflação e na continuação do forte ritmo de crescimento da economia americana, que registrou um aumento de 0 6% da produção industrial em abril em cima de uma expansão do PIB de 4,5% por ano, no primeiro trimestre.
Embora não excluam um aumento de juros em julho ou agosto, os analistas apontam várias razões para justificar a aposta de que eles permanecerão inalterados na reunião de amanhã do FOMC. A primeira é que os dados sobre salários, emprego e ganhos de produtividade não indicam pressão inflacionária do lado da mão de obra. Além disso, a taxa de utilização da capacidade produtiva instalada, de 80,6%, é considerada baixa e muitos sustentam que, na nova economia da idade da informação, a capacidade de produção pode ser ampliada rapidamente. Não há preocupação maior, tampouco, do lado da demanda dos consumidores
que já dá sinais de arrefecimento. Finalmente, as empresas continuam a queixar-se de sua falta de espaço para aumentar preços, um sinal seguro de que o clima competitivo da economia manterá a inflação sob controle. Computado o salto de abril, o Índice de Preço ao Consumidor subiu apenas 2,4% nos EUA, nos últimos doze meses.
Com a atenção dos mercados voltada para as deliberações do FOMC e um possível sinal de aperto futuro nos juros nos EUA, a expectativa é que a reunião do Conselho de Política Monetária do Banco do Japão, também marcada para hoje, não tomará nenhuma decisão importante. Nesse caso, a pressão é por um afrouxamento ainda maior dos juros, que já estão perto de zero, para estimular a estagnada economia japonesa.

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