Economista sugere elevação de juros para conter fuga de aplicações
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quarta-feira, 10 de fevereiro de 1999
Por Gustavo Alves 
Rio, 10 (AE) - O governo tem de aumentar as taxas de juros reais para tornar atrativas as aplicações financeiras, alertou hoje o economista da Pontifícia Universidade Católica (PUC-RJ) José Márcio Camargo. Com o rendimento negativo das aplicações neste mês, a tendência é de que o dinheiro nos bancos seja usado pela população para a compra de dólares e produtos com preços aumentados por causa da desvalorização do real - um fenômeno que pressionará mais a inflação, avisou o economista .
"Espero que o Banco Central aumente as taxas de juros reais em 10% ou 11% ao ano, pelo menos", afirmou o economista, da empresa de consultoria Tendências. A empresa calculou em 2 55% a inflação de fevereiro. Segundo Camargo, a transferência do dinheiro das aplicações financeiras para o consumo fará com que a taxa de inflação de março fique maior do que 3%. O reflexo da elevação dos juros reais, reconheceu o economista, vai ser uma recessão mais forte. Em compensação, a inflação anual ficaria entre 6% e 7% e a média mensal, entre 0,5% e 0,7%.
O perfil da nova equipe do BC faz com que Camargo acredite que as taxas de juros reais serão elevadas. "Essa diretoria aponta para uma política monetária dura, para combater o surto de inflação com desvalorização", afirmou. "A pergunta é se eles vão ter apoio interno", ressalvou o economista, para quem a medida vai ser combatida pelos mesmos grupos que pediram a desvalorização do real - empresários, exportadores e sindicatos organizados. "É um caminho certo para a volta da inflação", previu.


