Economista sugere alongamento da dívida pública
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 09 de fevereiro de 1999
Por Suzana Santos 
Rio, 09 (AE) - O governo federal deveria abrir negociações para alongar a dívida pública do País, na opinião do redator-chefe da revista Conjuntura Econômica, editada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), Lauro Faria. A tese do especialista é de que os juros altos exigem o reescalonamento da dívida, que hoje é de curto prazo. Para ele, a situação atual cria para o governo a mesma situação apresentada por alguns Estados, que vislumbram uma moratória.
Faria destaca que para renegociar a dívida o governo precisará de suporte no Brasil e do Fundo Monetário Internacional (FMI) para poder, se necessário, emitir papéis com lastro em ativos reais, como receita de petróleo e títulos do Tesouro Americano. Ele destaca como necessárias também medidas para aumento de arrecadação e corte de despesas, além de definições claras de metas monetárias, fiscal, de endividamento e de inflação.
O especialista entende que até o momento o governo não apresentou metas para o mercado e tem se mostrado sem rumo, operando um sistema cambial que não tinha planejado. Faria explicou ser possível perceber que a equipe econômica queria uma pequena desvalorização e a manutenção da banda larga no câmbio, mas perdeu o controle, sem estar preparado para a flutuação.
O economista entende que este novo sistema é "muito sofisticado" para o Brasil e acha difícil que a equipe econômica consiga "pilotar" este modelo. Faria destacou que a alternativa seria o sistema oposto, que prevê rigidez. Para ele, o País poderia atrelar o real ao dólar, com o sistema de conselho da moeda, que é utilizado na Argentina. Para definir a cotação, o governo deveria igualar as reservas ao estoque da moeda norte-americana na economia.
Reynaldo Gonçalves, economista da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), defende uma tese mais radical. Para ele, a solução para o País neste momento é a reversão drástica da liberalização da economia. Reynaldo sugere o fechamento na área comercial, com a instituição de tarifas de importação, controle cambial e de fluxo de recursos externos, além de um pacote fiscal, que deve conter redistribuição de renda e imposto sobre estoque de riqueza. O economista ressalta que a inflação poderia chegar a 20% no novo cenário.


