Brasília, 28 (AE) - O economista Paulo Rabello de Castro
do Instituto Atlântico, disse há pouco, em seminário promovido pelo Instituto Tancredo Neves (ITN), do PFL, que "radicalizar o ajuste fiscal neste momento é fundamental". Ele lembrou que, no fim de 1998, num encontro com a cúpula do PFL, defendeu a tese de que o governo deveria fazer um ajuste mais radical que aquele que previa um superávit primário de 2% do Produto Interno Bruto (PIB), pois, na avaliação dele, naquele momento, o superávit primário necessário para evitar uma desvalorização cambial seria da ordem de 5% do PIB. Castro apresentou um gráfico da relação salário-câmbio nos últimos anos, mostrando que houve uma perda de 30% dos salários nessa relação, de 1995 para cá, e que a curva descendente coincide com a queda de popularidade do presidente Fernando Henrique Cardoso. "O salário não pode mais ficar caindo em relação ao câmbio", sustentou o economista. Para ele, a capitalização do cidadão brasileiro é um dos desafios que precisam ser vencidos com pressa. "Temos de organizar instrumentos para capitalizar o cidadão brasileiro", afirmou, apresentando dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que mostram que os 10% mais ricos da população brasileira detêm 50% da renda, enquanto os 50% mais pobres detêm apenas 10% da renda, em números arredondados. Castro disse que o Instituto Atlântico está investigando para onde vai o dinheiro da gastança nacional bruta. Porque, segundo ele, a taxação de 10% da renda dos 10% mais ricos deveria resultar num crescimento de 50% da renda dos mais pobres. A pesquisa, segundo ele, destina-se a verificar por que o dinheiro arrecadado não chega onde deveria. "Queremos verificar qual a eficácia dos recursos que são taxados em cima e não chegam à base da pirâmide", afirmou. O presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), também esteve há pouco no seminário, mas entrou e saiu sem dar declarações.

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