Economista nega denúncias de envolvimento no caso Marka
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quarta-feira, 14 de abril de 1999
Por Irany Tereza 
Rio, 15 (AE) - Depois de três horas e meia de depoimento na Polícia Federal (PF), o economista Rubem Novaes classificou como "nonsense" as denúncias de que intermediou um suposto esquema de propina entre quatro bancos e um informante do Banco Central (BC). "No meu caso particular, eu usaria uma linguagem mais chula, para dizer que o que tem saído é um samba do crioulo doido", disse o economista, na saída da PF, no início da noite.
Novaes afirmou que nunca manteve qualquer contato com algum diretor do BC. Segundo alegou o economista, seu último contato profissional com a direção do Banco Marka foi há nove anos, quando prestava consultoria para a instituição. Ele informou, porém, que, desde esta época, ainda esteve duas vezes no banco, e manteve contatos pessoais com o presidente do Marka, Salvatore Alberto Cacciola.
O economista atribuiu a esta aproximação e ao fato de ter sido também diretor do Banco Fonte, antes da fusão com o Banco Cindam, o envolvimento de seu nome em um suposto esquema de corrupção.
Acompanhado do advogado criminalista Arthur Lavigne, Novaes informou que está estudando providências judiciais contra os autores das denúncias.
Ele informou que, atualmente, não exerce nenhuma atividade profissional, e está à procura de um cargo executivo em alguma instituição financeira. "Esta história toda está me prejudicando", queixou-se. O economista, que citou atividades anteriores, como a de diretor do BNDES, depôs na Delegacia de Combate ao Crime Organizado e Inquéritos Especiais (Delecoie), e considerou "tranquila" a sua exposição ao delegado Deuler Borges. "Acho que consegui explicar bem a história, que não tenho nada a ver com isso", declarou.
A Polícia Federal informou que a assessoria jurídica do Banco Marka confirmou para segunda-feira o depoimento Salvatore Alberto Cacciola, o principal suspeito no escândalo. Cacciola, que informou estar fora do País em local ignorado, deve retornar ao Rio neste fim de semana. Além das acusações de pagamento por informações privilegiadas do Banco Central que possa ter recebido, ele terá de explicar também a remessa para o paraíso fiscal das Bahamas, de R$ 17 milhões, feitas no dia em que seu banco quebrou. A operação foi feita dentro das normas do Banco Central mas há suspeitas de que ele teria utilizado a ajuda do governo para salvar apenas o seu investimento pessoal.


